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Volante Adilson anuncia aposentadoria ao 32 anos por conta de problemas cardíacos

Por: Almeno Campos

Adilson se emociona durante pronunciamanto (Foto: Bruno Cantini / Atlético-MG)

O volante Adilson anunciou aposentadoria do futebol aos 32 anos de idade na última sexta (12/07). Ele foi diagnosticado com uma cardiomiopatia hipertrófica, uma doença cardíaca identificada em exame realizado durante a pausa para a Copa América. O pronunciamento aconteceu em coletiva de imprensa, na Cidade do Galo, em Vespasiano (MG).


Cardiomiopatia hipertrófica é a mesma doença que matou o zagueiro Serginho, do São Caetano, durante jogo contra o São Paulo, em 27 de outubro de 2004, pelo Campeonato Brasileiro. Haroldo Aleixo, cardiologista do Galo, explicou o diagnóstico de Adilson e a decisão do corpo médico para a aposentadoria do jogador.


- Fizemos uma avaliação agora no meio do ano, na intertemporada, que caracterizou e identificou uma cardiomiopatia, uma doença cardíaca que o impede de seguir como atleta profissional de futebol. Isso foi estabelecido agora. A partir do momento em que se estabeleceu, nosso primeiro cuidado foi discutir com o médico pessoal do atleta e com uma terceira pessoa, um terceiro profissional, para ouvir a opinião, discutir sobre o diagnóstico e a conduta que deveria ser tomada. Houve uma unanimidade sobre a conduta, que decidiu por abreviar, do ponto de vista da continuidade, a carreira do Adilson como atleta de futebol - disse Haroldo Aleixo.


Adilson fez um pronunciamento, agradeceu o apoio recebido de familiares e companheiros e anunciou que seguirá trabalhando no Galo. Leia o anúncio completo do jogador:


- Eu vim aqui só agradecer todo o apoio, todo o suporte do departamento médico do Atlético, diretoria e presidente, que não estava no Brasil, mas fez questão de me ligar e me dar todo o apoio. Agradecer à rapaziada que está aqui (os jogadores acompanharam a coletiva de perto), todos que estão aqui. É isso que me fortalece. Já que estou nessa condição, é isso que eu gostaria de receber, então realmente agradeço a todos por tudo que vocês têm feito, não só por esse momento, por tudo que passamos nos últimos anos. A relação comigo foi sempre de muito respeito e muito apoio, inclusive do clube, no momento da minha chegada, da minha renovação ano passado, quando escolhi permanecer no Atlético, de coração. Tenho recebido uma série de mensagens nas últimas horas. Não pude ainda responder ninguém, esperei o pronunciamento oficial. Eu queria dizer, antes de tudo, que estou bem. Queria tranquilizar todos. Estou bem, não tive nenhuma reação física nesse processo todo. Sempre estive muito bem, vinha treinando, me preparando para o clássico. A vida vai seguir, eu vou seguir aqui no dia a dia do clube, o clube já tem manifestado interesse que eu permaneça aqui no dia a dia, colaborando da melhor maneira possível. Só tenho a agradecer, até então aqui tem sido tudo maravilhoso na minha vida pessoal e esportiva. Minha filha vai nascer dia 22. Tenho muitos motivos para seguir, ser feliz. Então, eu queria só fazer um pedido a todos vocês, principalmente da imprensa, que respeitassem esse momento que eu estou vivendo e tivessem todo o cuidado no momento de tratar dessa situação. Eu achei que ia ser mais fácil, que eu ia chegar aqui e ia ser mais fácil falar alguma coisa. Sei que minha família está sofrendo, todos estão sofrendo. Realmente peço que respeitem todo esse processo, como têm me respeitado até então, agradeço todo esse respeito que tiveram por mim. A vida vai seguir, com minha filha chegando, vou estar aqui junto dessa rapaziada, que tenho como irmãos. Acredito muito neles, eles ainda são a última chance que eu tenho de ganhar um troféu grande. Ainda tenho essa chance, acredito muito neles. Vou estar aqui nesse processo, ganhando ou perdendo, vou estar junto deles. A todos vocês, muito obrigado por tudo.


Durante o discurso, Adilson chegou a chorar. Neste momento, foi abraçado pelo lateral Patric. Adilson estava afastado dos treinos nos últimos dias. Segundo o clube, até então, para resolver problemas pessoais. Versão pedida pelo volante, que não queria expor a situação antes do clássico contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil. Mesmo sem poder atuar mais, o agora ex-jogador vai seguir acompanhando o dia a dia do Galo, ainda sem uma função definida.

Adilson sendo abraçado pelo lateral Patric durante o pronunciamento (Foto: Foto: Bruno Cantini / Atlético-MG)

Natural da cidade de Bom Princípio, Rio Grande do Sul, Adilson iniciou a carreira nas categorias de base do Caxias (RS). Depois se transferiu para os juniores do Grêmio, chegando aos profissionais em 2007. Ele ficou no clube de Porto Alegre, pelo qual conquistou o Campeonato Gaúcho em 2007 e 2010, até 2011, quando foi para o Terek Grozny, da Rússia. Por lá, ficou seis anos. Em 2017, chegou no Atlético-MG. Com o clube mineiro, disputou 99 jogos e marcou dois gols. Em outubro do ano passado, o contrato dele foi renovado até o fim de 2020. Pelo Galo, conquistou o Campeonato Mineiro de 2017.

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