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Vence, mas não convence


Foto: Alex Pantling/Getty Images

Por: J.V. Laguárdia


O técnico Tite não tem vida fácil para montar a uma nova equipe após a decepcionante participação na Copa do Mundo 2018, na Rússia. Nos quatro últimos compromissos da Seleção depois da Copa, o discurso do comandante era de construir um novo ciclo a curto, médio e longo prazo. Obviamente que a cultura futebolística brasileira, que visa resultados imediatos, fez com que Tite continuasse convocando alguns jogadores considerados mais experientes, mas que não desempenharam boas atuações na Copa e até mesmo nos seus atuais clubes. Tudo isso, também para se manter no cargo.


Na partida contra o Uruguai, o que pôde ser observado foi uma elevada dependência de Neymar, que mais uma vez tentou buscar jogadas individuais. A equipe também demonstrou ter muita dificuldade de jogo contra equipes que montam duas linhas de 4. No último jogo, contra Camarões, o camisa 10 saiu lesionado de campo logo no início do primeiro tempo, aos 7 minutos, e o futebol apresentado foi pífio, com os atletas girando a bola de uma ponta a outra, sem muita infiltração e jogadas pelo meio. Os laterais pouco apareceram para apoiar o ataque e a equipe chutou pouco ao gol adversário.


As principais carências da Seleção Canarinho são as laterais e o meio campo, mais especificamente, os jogadores criativos. Na história da Seleção, diversos excelentes laterais e meio campistas vestiram a camisa verde e amarela. Em 2002, no ano da conquista do último título da Copa do Mundo, nas laterais, o Brasil contava com Cafu e Roberto Carlos titulares absolutos, e seus reservas foram Belleti e Júnior. O setor de criação teve o Bruxo R10, Ronaldinho Gaúcho, e na reserva, Kaká. Atualmente, falta principalmente o camisa 10 tradicional, que pensa a jogada e dita o ritmo da partida, como uma orquestra. Desde a Rússia, todos adversários do Brasil sabem que o lado esquerdo, que geralmente conta com Marcelo, Neymar e Phillipe Coutinho, é a principal jogada e que o lado direito conta com a velocidade de Willian ou Douglas Costa. Se uma opção não funciona, a bola imediatamente gira para o outro lado.


É evidente que o técnico Tite tem um relacionamento mais próximo com os jogadores, ele que elabora os treinamentos do grupo. Porém, como torcedor, fica a incompreensão da convocação de alguns jogadores de idade elevada e baixo rendimento atual. Pablo, Paulinho, Marcelo (cortado por lesão), Renato Augusto e Gabriel Jesus. Além disso, a convocação e a pouca oportunidade oferecida para alguns jogadores também é questionável. Dois exemplos disso são na zaga, quando Pablo é titular e Dedé sequer entra em campo, em alguns jogos, e na lateral, quando Rafinha também não tem oportunidades reais de jogo. Existem jogadores que estão em excelente fase e que não foram convocados, muitos deles por estar em reta final de competições nacionais – Everton, Dudu, Jorge, Luan e Éder Militão. Para isso, a única e necessária solução é que o futebol brasileiro respeite as datas FIFA.


Entretanto, algumas joias verde e amarela já estão sendo experimentadas com mais frequência, como o volante Arthur e o atacante Richarlison, além de outros jogadores que estão sendo lapidados e podem ser aproveitados em um futuro próximos: Brazão (Cruzeiro), Paulinho (Bayer Leverkusen), Vinícius Júnior, Rodrygo (Real Madrid) e Pedro (Fluminense). Mas o jogador capaz de vestir camisa 10 ainda é uma incógnita.

Outro fator que é desconfortável e que nivela a Seleção por baixo são os adversários escolhidos. El Salvador, Arábia Saudita e Camarões são exemplos de adversários com pouca qualidade técnica, tanto no ataque quanto na defesa, e mesmo assim, a Seleção Canarinho, que no passado já encantou a todos, tem dificuldade de criar jogadas e construir um placar elástico.


Com o nível de futebol apresentado, os mais de 209 milhões de torcedores da Seleção não podem criar muitas expectativas para a Copa América 2019, que será realizada no Brasil.

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