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Qual é o limite da desumanidade?

Por Vinícius Sacramento


Este é um artigo opinativo. O texto abaixo é de total responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a opinião da Alternativa Esportes Web Rádio.


Presidentes de Vasco e Flamengo se reuniram com Bolsonaro. (FOTO: REPRODUÇÃO)

A reunião presencial de Alexandre Campello e Rodolfo Landim com o presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (ambos sem partido), em plena pandemia, já seria péssima. Com a revelação de que o objetivo dos presidentes de Vasco e Flamengo era fazer lobby pelo retorno do futebol enquanto o país batia recorde de mortes pela COVID-19 -- em 19/05, foram 1.179, média de uma a cada 71 segundos -- tudo ficou ainda mais nefasto. É a constatação de que a necropolítica invade o esporte, não importando o viés político do governante.


Muito se fala sobre supostas vantagens de manter bom relacionamento com políticos. Mas o que os clubes têm a ganhar se aliando com governantes enrolados até o pescoço com suspeitas de desvio de dinheiro público, crimes contra a saúde pública, crimes de responsabilidade e com governabilidade fortemente questionável, dados os mais de 30 pedidos de impeachment? É válido se associar a um político que atingiu 50% de reprovação (fonte: XP/Ipespe - 20/05/2019)? Agente público que veste a camisa do seu time não paga salários atrasados, muito menos dá visibilidade a patrocinadores numa camisa limpa.

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Ainda mais lamentável é o bastidor da foto, compartilhada nas redes sociais dos integrantes do lobby da morte: enquanto o médico Márcio Tannure aparece completamente paramentado no Ninho do Urubu em entrevista à FlaTV, não se valeu nem mesmo da máscara durante o encontro. Campello, presidente do Vasco, também é médico e ignorou a recomendação de todas as autoridades de saúde.


Mas como no Brasil o fundo do poço tem porão, cogita-se o absurdo de Flamengo e Vasco trazerem seus elencos (e respectivas famílias) para Brasília e fazerem treinamentos no Estádio Mané Garrincha, a poucos metros de um hospital de campanha. Mórbido. Macabro. Sem-noção. Faltam adjetivos para definir a malandragem de fugir das restrições impostas pela prefeitura do Rio e o governo do RJ. Cabe ressaltar, Botafogo e Fluminense são os únicos clubes que não assinaram a nota da FERJ pedindo o retorno das atividades esportivas. Pouco importa se cancelado ou com Fla, Flu ou os ambos como campeões, mas o Carioca 2020 não deveria retornar nem hoje, amanhã ou em novembro. Não há clima para pão e circo enquanto a Saúde entra em colapso.

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Elenco rubro-negro treinou nos campos 1 e 5 do Ninho do Urubu. (REPRODUÇÃO: PAULO FRANCO / TV GLOBO)

Contrariando decreto municipal em vigor, a maior parte do elenco do Flamengo treinou em dois campos do Ninho do Urubu nesta quarta (20). O flagrante aéreo da TV Globo não deixa dúvidas da desumanidade da gestão Landim: há mais de um ano, vem tratando pessoas como números em toda referência à tragédia que vitimou 10 jovens no mesmo CT, e agora ignora a angústia e sofrimento de funcionários do clube infectados pelo coronavírus -- 5 atletas do elenco profissional testaram positivo, e 2 deles ainda não estão livres da doença. O rubro-negro também perdeu o massagista Jorginho para a COVID-19 há poucos dias e ainda assim se presta ao vexaminoso papel. Do lado vascaíno, o elenco se recusa a treinar virtualmente enquanto a maioria dos atletas ainda não recebeu em 2020. Uma das últimas postagens de Campello nas redes sociais poderia ser aplicada a ele mesmo: “sai da janela e arruma um trabalho!”

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