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Por que o futebol brasileiro é "só passagem" para técnicos e jogadores? Relembre casos

Este é um artigo opinativo. O texto abaixo é de total responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a opinião da Alternativa Esportes Web Rádio.


Por Nícholas Franco


JJ está de volta ao Benfica após passagem vitoriosa no Flamengo | Foto: Divulgação/Benfica

Às vezes, o início do sonho. Em outras, parte da estrada. Mas nunca o destino final da carreira de treinadores e jogadores. O futebol brasileiro ainda é referência para o mercado sul-americano, mas segue sendo vitrine para europeus e até asiáticos. Na última semana, o técnico português Jorge Jesus deixou o Flamengo e retornou para o Benfica, clube de seu país natal. O treinador tinha acabado de renovar o seu contrato com o Rubro-Negro até junho de 2021, e em outras ocasiões, havia declarado que só deixaria o clube caso recebesse uma proposta de um clube de "primeiro escalão" mundial.


Chegou a ser noticiada uma especulação sobre o nome dele no Barcelona, mas não passou de uma sondagem. O Benfica inicialmente não seria um integrante deste pelotão de elite no qual o Mister se referia, mas talvez ele foi seduzido por um salário mais alto, por voltar a jogar uma Champions League, ou simplesmente por uma volta para casa em um momento delicado no Brasil, devido a pandemia. Tudo isso pode ter motivado a escolha.


Seleções também são ameaça


Jesus não é o primeiro técnico estrangeiro que deixa um clube brasileiro com contrato ainda em vigor. Mas é o primeiro que deixa para assumir um clube europeu, até porque o treinador nasceu no Velho Continente. Em outras oportunidades, treinadores sul-americanos deixaram o comando de equipes do nosso país para assumir seleções.

Rueda comandou o Fla em 31 jogos, com 13 vitórias, 10 empates e oito derrotas, e ficou conhecido por lançar Lucas Paquetá no time principal | Foto: André Durão

No próprio Flamengo, o último caso foi de Reinaldo Rueda. O colombiano que virou 2017 no comando da equipe carioca, deixou o Flamengo às vésperas da estreia da temporada 2018 para assumir a seleção do Chile. O São Paulo também sofreu com dois treinadores "pulando do barco". Em 2015, o também colombiano Juan Carlos Osório, largou o Tricolor Paulista rumo à Seleção Mexicana. E o argentino Edgardo Bauza, em 2016, se foi para assumir a seleção do país dele.


Jogadores no auge não pensam só na Europa


O mercado também mostra fragilidade para a manutenção de jogadores. E não são só os gigantes europeus que atraem os principais nomes do futebol nacional. O meia-atacante Dudu, do Palmeiras, vencedor de três bolas de prata e uma bola de ouro como craque do Brasileirão, deixou o Alviverde rumo ao Al-Duhail (CAT). Ele, que era insistentemente pedido pela torcida palmeirense na Seleção Brasileira, nunca teve grandes chances, e o futebol dele não foi suficiente para chamar atenção de um clube do Velho Continente.


Expectativa que também foi frustrada com outros jogadores que também haviam sido eleitos craques do Campeonato Brasileiro. Hoje no Flamengo, o meia Everton Ribeiro, que foi por duas vezes escolhido o melhor jogador do Brasileirão nos títulos de 2013 e 2014, estava no auge da carreira, mas deixou o Brasil para jogar no Al Ahli (EAU).


A Ásia também foi destino do principal nome do Brasileirão de 2017. Campeão, artilheiro e melhor jogador, o atacante Jô, do Corinthians, optou pelo Nagoya Grampus (JAP) do que permanecer no clube que foi revelado. Mesmo experiente, com Copa do Mundo jogada e passagens em clubes como CSKA (RUS) e Manchester City (ING).


Opção para fim de carreira


Rodado em clubes como Real Madrid (ESP), Internazionale (ITA) e Milan (ITA), Seedorf encerrou carreira no Botafogo, onde marcou 24 gols em 81 jogos | Foto: Divulgação

Se muitos jogadores deixam o Brasil no auge das carreiras, outros tantos retornam ao país quando os auges passam. Exemplos não faltam: Daniel Alves no São Paulo (2019), Ronaldinho no Flamengo (2011), Ronaldo no Corinthians (2009) e até mesmo nomes internacionais que nunca jogaram no país como o holandês Clarence Seedorf no Botafogo (2013) e os atuais grandes nomes do alvinegro carioca: o japonês Keisuke Honda e o marfinense Salomon Kalou.


Há várias razões para tudo isso acontecer. A crise financeira dos clubes, a falta de organização do calendário, o sonho da independência financeira, a pressão das torcidas do futebol brasileiro... Fato é que tais problemas não estão nem perto de serem solucionados, e enquanto forem uma realidade, o êxodo dos principais nomes continuará sendo real.

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