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Opinião: por que o futebol ainda não pode retornar no Brasil?

Este é um artigo opinativo. O texto abaixo é de total responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a opinião da Alternativa Esportes Web Rádio.


Por Nícholas Franco

Honda, do Botafogo, estreou sem a presença do público no Estádio Nilton Santos | Foto: André Durão/globoesporte.com

Neste mês, cinco grandes ligas europeias se juntarão à Bundesliga e retomarão os jogos oficiais, ainda que com portões fechados. O período de pandemia não acabou, e protocolos de segurança estão sendo seguidos para que tudo aconteça sem risco para atletas, comissão técnica, jornalistas e todos os presentes nos estádios. Mas por que o Brasil ainda não pode seguir o exemplo e cumprir os mesmos protocolos para voltarmos a ter bola rolando por aqui?


Primeiramente é preciso entender os contextos da pandemia em cada país. Não à toa, a Alemanha retornou antes das demais. O país germânico seguiu à risca o isolamento social e conseguiu não apenas achatar a curva de infectados, como também equilibrar o número de casos com o de leitos disponíveis no país. Algo que demorou um pouco mais em países como Portugal, Espanha, Turquia, Inglaterra e Itália, que só agora retomarão suas atividades.

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O Brasil ainda não conseguiu diminuir sua proporção de casos e mortes. Semanalmente é comum que, mais de uma vez, os números de infectados e vítimas fatais superem recordes dentro do território nacional em períodos de 24 horas. Junto a isso, o problema de saúde pública no país é gravíssimo. Além de não se ter leitos hospitalares suficientes para todos, o país trocou de ministro por duas vezes durante o surto do coronavírus, e atualmente se encontra sem um profissional ocupando o cargo.


Somado a esses fatores, o país de dimensões continentais tem cada estado lidando de forma diferente com os números. Algo a se levar em consideração principalmente por estarmos ainda no período de disputa de campeonatos regionais. Os clubes do Rio Grande do Sul, por exemplo, retomaram os treinos antes que todos os outros, enquanto os paulistas estão unidos na ideia de que não é hora de se pensar em futebol neste momento. Já os cariocas se dividem entre os pequenos desesperados com a situação financeira, endossados pelos gigantes Flamengo e Vasco, que chegaram a se reunir com o presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, solicitando a permissão para treinar na capital do país.


Num primeiro momento, o Rubro-Negro chegou a registrar 38 funcionários infectados, enquanto o Cruzmaltino testou seus atletas e registrou 16 casos de Covid-19. Justamente os clubes grandes com maior pressa para o retorno dos jogos são aqueles que, mesmo em período de reclusão, apresentam números superiores a testes realizados em ligas inteiras de outros países. A Bundesliga, por exemplo, antes de seu retorno oficial, apresentou dez testes positivos entre atletas de todos os 18 clubes da primeira divisão. Só o Gigante da Colina teve seis casos a mais.

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Portanto, não é porque voltaram a jogar futebol na Europa que o Brasil deve adotar a mesma medida. Países como França, Bélgica e Holanda resolveram cancelar seus campeonatos, pois não viram a sequência de suas partidas no período como algo plausível ou seguro no momento da tomada de decisão. Ainda que precipitada, a decisão foi vista como “responsável” por parte dos governos locais e de suas ligas.


Algo impensável em um país que vive polarização política e vê a curva cada vez mais ascendente. Um país que já é o segundo em número de casos de coronavírus em todo o mundo - mais de 740 mil registros - e que já superou a marca de 38 mil mortes. Um país em que mesmo em período de reclusão, as ruas seguem cheias, os comércios abertos e muitos ainda circulam sem máscaras. O mesmo país cujo governo federal ainda está mais preocupado com os números de seu mandato do que com as vidas das pessoas.

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