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Opinião: mercado brasileiro virou “trampolim” para técnicos estrangeiros; saiba o por quê

Este é um artigo opinativo. O texto abaixo é de total responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a opinião da Alternativa Esportes Web Rádio.


Por Nícholas Franco


JJ, Coudet e Rueda: exemplos recentes de técnicos que deixaram trabalhos em andamento no Brasil | Arte: Nícholas Franco

Em tempos de “moda” no futebol brasileiro, a presença de treinadores vindos de fora do país para os clubes tem enfrentado um curioso obstáculo: eles são facilmente seduzidos por propostas de trabalho consideradas mais interessantes no aspecto desportivo, sejam elas vindo de seleções ou de clubes europeus.


O problema não é recente, e vem bem antes da tendência que os clubes pareceram adotar com mais efetividade nos últimos dois anos. O São Paulo, por exemplo, perdeu o colombiano Juan Carlos Osório para a Seleção Mexicana em 2015. O mesmo Tricolor Paulista viu o argentino Edgardo Bauza deixar a equipe para assumir o selecionado de país natal dele, em 2016. Situação parecida com o Flamengo, que perdeu o também colombiano Reinaldo Rueda, que deixou o clube durante a pré-temporada de 2018 para comandar o Chile.

Osorio e Bauza aceitaram propostas de seleções enquanto estavam no comando do São Paulo | Fotomontagem: Nícholas Franco)

Nesta temporada, o Rubro-Negro viu o português Jorge Jesus retornar ao Benfica pouco depois de renovar contrato com a equipe carioca. E na última semana, no exemplo mais recente, o argentino Eduardo Coudet deixou o Internacional, líder do Campeonato Brasileiro, para fechar com o Celta de Vigo (ESP). Afinal, por que isto acontece?

Brasil se destaca dos demais no continente

Sendo o real a moeda mais valorizada do Mercosul, fora o poderio dos clubes brasileiros em competições internacionais, o futebol nacional acaba sendo uma grande vitrine para os principais centros, sendo estes o mercado de seleções para técnicos mais experientes e o de clubes europeus para aqueles que alcançam o auge.

Ser bem sucedido no equilibrado e difícil Campeonato Brasileiro chama mais atenção dos “tubarões” do mercado do que vencer em países como Colômbia e Argentina, que apesar de terem tradição futebolística, não possuem fatores dentro de seus países como o calendário e as dimensões continentais que o Brasil tem.

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Instabilidade do mercado brasileiro

Dome foi demitido do Flamengo após críticas e goleadas sofridas | Foto: Marcelo Theobald/O Globo

Não é novidade para nenhum estrangeiro que vem se aventurar no futebol brasileiro, que por aqui, o resultadismo dita a continuidade ou interrupção do trabalho muito mais do que a assinatura das partes quanto ao tempo de contrato. Tal fato é válido tanto para quem é nascido aqui, quanto para quem vem de fora.


Só nesta temporada, o Atlético -MG demitiu o venezuelano Rafael Dudamel com menos de dois meses de trabalho. O Santos dispensou o português Jesualdo Ferreira em agosto, após a eliminação do Peixe no Campeonato Paulista. E mais recentemente, o Flamengo optou pela demissão do espanhol Domènec Torrent após apenas três meses de trabalho.


Esta instabilidade também faz com que os técnicos prefiram deixar o clube “por cima” quando têm uma proposta, e deixar uma porta aberta para um futuro caso seja necessário.

Questão financeira e estabilidade

Com muitos clubes brasileiros passando por crise financeira, pagando valores modestos, atrasando salários ou sem poder de investimento no elenco, as sedutoras cifras que federações nacionais e equipes europeias têm, além da possibilidade de trabalhar com um material humano melhor, também podem influenciar para os técnicos abandonarem trabalhos em andamento.

Além disso, muitos destes treinadores possuem o pensamento de que para chamar atenção das equipes de elite do futebol mundial, primeiro é preciso fazer trabalhos próximos a elas ou disputando os mesmos torneios. Como foi com Mauricio Pochettino, ex-técnico do Espanyol (ESP), que posteriormente assumiu o Southampton (ING) e chamou a atenção do Tottenham (ING), tornando-se um dos principais nomes do mercado entre as temporadas de 2014 e 2019.

Coudet deixou o Inter na liderança do Brasileirão | Foto: SCI/Reprodução

É nisto que pensa Eduardo Coudet quando topa um trabalho no modesto Celta de Vigo, em detrimento do líder do Brasileirão. Além da auto-avaliação de que seu trabalho provavelmente não evoluiria mais do que o estágio em que atingiu, haja visto a competição com elencos mais “recheados”, e a já notada queda de rendimento do Colorado nos últimos jogos que poderiam ameaçar seu cargo num futuro próximo.


Considerando todos estes fatores, o futebol brasileiro pode sim ser considerado um trampolim para técnicos estrangeiros. Vencer por aqui traz prestígio e reconhecimento internacional, mas não representa o auge da carreira de nenhum profissional.

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