• José Roberto Julianelli

Opinião: Sem sintonia

As medidas anunciadas na última segunda-feira (22/03) pelo Prefeito do Rio e pelo Governador do Estado demonstram claramente a falta de sintonia entre os nossos governantes nas esferas municipal e estadual. Esse desentendimento já era notório em relação ao governo federal e a maior parte dos governos estaduais, mas agora, seguindo a linha já observada recentemente em São Paulo, por exemplo, os mandatários aqui da Cidade Maravilhosa, resolveram agir da mesma forma.


Num momento em que se esperava a união de esforços em torno do combate à pandemia que avança sem piedade sobre a população do Rio de Janeiro, espalhando medo e morte por todo lado, o que se viu foi a implementação de medidas de restrição que mais confundem e prejudicam o comportamento da população, do que ajuda no combate a esta - que pode ser considerada a maior tragédia do presente século. De um lado a Prefeitura endurecendo as medidas de controle, e do outro, o Governador com orientações bem menos radicais. É claro que em uma situação que as autoridades não conseguem um mínimo de consenso, a tendência é a população se voltar para o lado que lhe for mais conveniente, ou seja, a camada das pessoas que têm mais consciência e está preocupada em se proteger e também cuidar do seu próximo, tenderá a seguir as regras mais restritivas; por outro lado, aqueles que já vêm mantendo um comportamento irresponsável no seu dia a dia irão se apoiar nas medidas mais liberais.


No futebol, parece que o movimento irá na mesma direção. Considerando que a proibição das práticas esportivas só atingem a cidade do Rio de Janeiro, os clubes já se movimentam para realizar seus jogos nas cidades em que elas estão permitidas. Assim como a Federação Paulista e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deram seu jeito, transferindo jogos para a cidade de Volta Redonda (RJ), todos os caminhos levam a crer que a Federação de Futebol do Rio também irá adotar o mesmo procedimento para que o Campeonato Carioca não seja paralisado.


Parece mesmo que o futebol vive num mundo paralelo, onde nada do que está acontecendo na sociedade pode afetá-los. Será que esses dirigentes se esquecem de que o "espetáculo" que não pode parar precisa do trabalhador anônimo, que tem suas famílias, e que com toda certeza não são alvo dos cuidados extremos com sua saúde e integridade, como são os atletas, na maioria dos grandes clubes? Será que os jogadores dos clubes de menor investimento também passam pelo controle rígido a que são submetidos os que atuam nos grandes clubes?


Fica a reflexão, para que a gente possa considerar se o futebol é um serviço essencial ou não, num momento tão delicado da nossa sociedade.


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