• Alternativa Esportes

O futebol brasileiro chora: uma semana para repensar

Por: J.V. Laguárdia


Abel Braga pediu demissão ao longo da semana (Foto: Marcos Ribolli/globoesporte.com)

O futebol brasileiro sempre foi muito bem visto pelo mundo, e não é sem razão que os maiores clubes do mundo mantêm seus olhos atentos no nosso país. Porém, há alguns anos, o nosso futebol, tanto tático quanto modelo de gestão, está sofrendo e agoniza. Nesta semana, ele ganhou mais alguns tristes capítulos. Foi uma semana de horror: o futebol chora.


Tudo começou no domingo (26), com a matéria bombástica do Fantástico, programa da Rede Globo, que investigou possíveis irregularidades realizadas pela diretoria do Cruzeiro. Como se não bastasse o péssimo momento vivido pelo clube dentro das quatro linhas e as dívidas na FIFA, essa reportagem, com mais de dois meses de investigações e acessos exclusivos a documentos e contratos, mostrou indícios de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e pagamentos suspeitos pela cúpula azul. Imediatamente, muitos torcedores se manifestaram nas redes sociais e pediram a saída imediata do presidente Wagner Pires, do vice-presidente de futebol Itair Machado e do diretor-geral Serginho, mais conhecido como Serginho da Alterosa. Ademais, CBF, FIFA e outros órgãos governamentais já pediram explicações ao clube e estão investigando o ocorrido.


Lamentavelmente, uma história vencedora dentro de campo, que inclusive está em uma lista seleta de clubes que nunca foram rebaixados, pode sofrer sérias consequências, como rebaixamento e o impedimento de contratar jogadores, por conta dos atos dessa diretoria - vale destacar que o delicado momento financeiro vivido pelo clube não começou na atual direção. Outro fator é que a má gestão não é exclusiva da Raposa, muitos clubes possuem dívidas. Parece que grande parte dos dirigentes não pensa na responsabilidade fiscal. São eleitos, assumem os cargos, comprometem a saúde financeira do clube e quando termina o mandato, deixam dívidas e não são penalizados por isso. O que mais temos são exemplos dessa realidade.


Na terça-feira (28) foi possível de observar, mais uma vez, a dependência e a falta de capacidade do treinador da seleção brasileira, Tite, em controlar e impor limites ao “garoto mimado” Neymar. Num lance de treino, o lateral Weverton, jogador do sub-20, que foi convidado pela Seleção para completar o elenco, aplicou uma linda caneta no craque, que ficou irritado e não aceitou o drible, posteriormente fazendo uma falta. Como consequência, a atitude tomada pelo comandante, para evitar possíveis conflitos, foi a troca do jovem e habilidoso lateral de time, sem repreender Neymar. Além disso, existem críticas pela não renovação da seleção canarinho. Ficou claro que a pressão é grande para a conquista da Copa América, e que se não vencer, provavelmente, o treinador será demitido.


Somado a isso, é claro que muitos amantes do futebol já se cansaram do péssimo futebol apresentado até aqui, principalmente na Copa do Mundo da Rússia. A falta de variação tática, o futebol supra defensivo, a super dependência da genialidade de Neymar - que em alguns momentos não o apresenta - a teimosia em relacionar alguns jogadores, conhecidos como “Família Tite”, são alguns argumentos para a insatisfação dos torcedores.


A última quarta-feira (29) foi muita conturbada. O São Paulo, mais uma vez, decepcionou o seu torcedor ao voltar a perder e ser eliminado pelo Bahia, na Copa do Brasil. Depois de um 2018 turbulento e promessas feitas pela diretoria de que 2019 seria melhor e diferente, o torcedor se viu cheio de expectativas quando os comandantes foram buscar bons jogadores, como Hernanes, TcheTche, Alexandre Pato, Pablo, Tiago Volpi e outros. Toda essa expectativa foi frustrada quando, na primeira fase da Copa Libertadores 2019, o Tricolor Paulista foi eliminado para o Talleres (ARG). Foi um alto investimento e um baixíssimo rendimento, o que pode acarretar em sérios prejuízos financeiros a instituição São Paulo Futebol Clube. Com mais esse vexame muitos já pedem a saída da cúpula tricolor.


Também, nesse mesmo dia, o STJD pediu a retirada dos três pontos ganhos pelo líder Palmeiras, na vitória em cima do Botafogo. A razão é que, de acordo com o clube carioca, houve a utilização equivocada do VAR no lance que originou o pênalti em Deyverson. Pensávamos que o VAR seria a salvação para o futebol nacional e mesmo com a utilização dele, ainda há erros bizarros.


Não podemos esquecer da demissão do vitorioso técnico Abel Braga, que comandava o time do Flamengo. O treinador estava sendo fritado vivo. Era constantemente contestado por suas escolhas táticas e técnicas, para muitos parecia que não compreendia mais futebol e, como consequência, foi demitido pela diretoria. Segundo ele, foi traído pelos dirigentes. É importante relembrar que o último grande título do Rubro-Negro foi a Copa do Brasil, em 2013, uma conquista que nem era esperada, uma vez que o clube estava na política de corte de gastos e de readequação do orçamento, como o ex-presidente Bandeira dizia: estavam colocando a casa em ordem para poder colher os frutos. Contudo, não existe a palavra paciência para muitos torcedores, o resultado deve ser imediato e, com essa atitude, o ano do Flamengo pode estar em risco. Basta pensar e rever: quando um técnico foi trocado no meio do ano, o time foi campeão alguma vez? Até contratar um novo treinador e implementar uma nova filosofia de jogo, exige tempo, e tempo é o que parece que a diretoria não tem.


O atual elenco do Flamengo é bom. Claro, com ressalvas, há problemas, principalmente nas laterais, mas isso não era culpa do Abel Braga. A atual diretoria foi incapaz de contratar laterais e mais um bom zagueiro. Realmente concordo com as palavras do ex-treinador, em sua carta de despedida do clube: acredito que o futuro do Flamengo será de conquistas. Infelizmente, essa não foi a visão da diretoria.


Entretanto, são poucos os motivos que me fazem vibrar com o nosso atual futebol, entre eles estão os bons trabalhos desempenhados pelos técnicos Fernando Diniz, do Fluminense, e Jorge Sampaoli, do Santos, que com poucos “recursos humanos”, com um baixo investimento por parte da diretoria, vem desempenhando um bom futebol e bons resultados, principalmente o time do Rio de Janeiro. Para quem ama um belo futebol,terá de concordar que o jogo entre Grêmio x Fluminense, que terminou em 5x4 para o Tricolor Carioca, em Porto Alegre, entrou na história como uma das melhores e mais emocionantes partidas. O jogo foi marcado por ser um futebol de troca de passes, profundidade, viradas no placar e ofensividade, na busca total do momento mais alto de uma partida de futebol - o gol.


Outro treinador, que não pode ser deixado de fora, é Renato Gaúcho. Descontraído, mas sério e convicto na sua ideia de jogo, tem feito um excelente trabalho junto ao Imortal, na revelação de exímios jogadores. Ainda ajuda na recuperação de jogadores que outrora estavam sendo colocados como “fim de carreira”, que não poderiam entregar muito dentro de campo. Com a sua forma ofensiva, de propor o jogo, e sem medo de colocar em campo jovens promessas, já conquistou Campeonato Gaúcho, Copa do Brasil, Libertadores e até ameaçou um pouco, o poderoso Real Madrid, na final do Mundial de Clubes. É verdade que em 2019, o Grêmio ainda vive momentos de instabilidade, com altos e baixos, mas ninguém duvida da capacidade do treinador e na sua filosofia de jogo. Esse sim é da nova geração de treinadores que o futebol brasileiro quer ver nas ligas nacionais, internacionais e Seleção Brasileira. Abre o olho Tite!

0 visualização

© 2018 Alternativa Esportes. Orgulhosamente criado com Bruno Pinheiro. 

  • Facebook - Alternativa Esportes
  • Instagram - Alternativa Esportes
  • Twitter - Alternativa Esportes
  • Youtube - Alternativa Esportes
  • Facebook - Alternativa Esportes
  • Instagram - Alternativa Esportes
  • Twitter - Alternativa Esportes
  • Youtube - Alternativa Esportes