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O Botafogo pode deixar de existir?

Este é um artigo opinativo. O texto abaixo é de total responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a opinião da Alternativa Esportes Web Rádio.


Por Nícholas Franco


Torcida vive momentos de apreensão por conta dos últimos acontecimentos | Foto: Vitor Silva/SSPress/BFR

Desde 2014, o Botafogo de Futebol e Regatas tem a maior dívida do futebol brasileiro, girando em torno do valor de R$ 1 bilhão. O clube não possui ativos que não sejam a venda de produtos oficiais e a negociação de jogadores, e sofre com ações judiciais, penhoras, gastos mensais para se manter e mal consegue pagar os salários de elenco, comissão técnica e funcionários, o que resulta nos atrasos recorrentes e a falta de verba para que o clube se reforce.

A grande esperança do clube a partir de 2020 era o projeto Botafogo S.A., que consistia em fazer com que o futebol se desvinculasse dos demais esportes da instituição, se tornando uma sociedade anônima desportiva. Para que o projeto saísse do papel, era necessária a capitalização de R$ 250 milhões em investimentos. Mas a pandemia desacelerou o processo e fez com que o “plano A” fosse freado. O Glorioso contava com um investimento de R$ 126 milhões dos irmãos empresários e alvinegros Moreira Salles, mais R$ 54 milhões do líder do projeto, Laércio Paiva. Ainda faltariam R$ 70 milhões para que a S.A. se tornasse realidade, mas com o corte de verbas como bilheteria e aproveitamento do Estádio Nilton Santos com eventos, o dinheiro ficou ainda mais curto. O líder do comitê de transição responsável atual pela gestão do clube e ex-presidente do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro, em coletiva, explicou a situação.

- Montamos um orçamento, uma proposta para atrair investidores. Viajei no fim do ano passado, fiquei três meses fora, as coisas andaram. Foi contratada uma empresa especializada, que referendou toda a parte da dívida, isso a gente tem na ponta do lápis. Apareceram os irmãos, que queriam pilotar isso, ofereceram metade mais 1 (R$ 126 milhões). Essa empresa não tinha experiência para conseguir o resto. Quem ficou com esse papel acabou sendo o Laércio e ele fez bem, mas enfrentou problemas. Primeiro a pandemia, e segundo que ele encontrou alguns botafoguenses que já ajudaram no passado e não quiseram. O Laércio conseguiu R$ 54 milhões e empacou. O projeto não acabou, mas não estou otimista. Pode ser que amanhã apareçam os R$ 70 milhões - disse.

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Um possível "plano B" seria apostar na Recuperação Judicial. Uma última cartada que o Alvinegro apostaria para evitar que o clube decrete falência. Consiste em um processo pelo qual a entidade endividada tem um prazo para seguir em atividade enquanto continua negociando com seus credores, sob supervisão da Justiça.

Derrota para o Cuiabá foi estopim para declarações | Foto: André Durão/ge

Após a derrota na partida de ida da Copa do Brasil diante do Cuiabá, o empresário botafoguense e ex-patrocinador do clube, Felipe Neto, descreveu em uma série de tweets a situação atual das finanças do Botafogo e o por quê de ter desistido de investir no clube do coração.

- O Laércio, sozinho, conseguiu convencer tanta gente que a S/A parecia impossível de não sair. Juntou-se a ele o incrível advogado André Chame, meu amigo e profissional impressionante. Com os dois na tomada de decisões, não tinha como dar errado! (...) Ele foi vencido. Com o projeto novo, não senti mais segurança. E não senti nenhuma confiança de que a turma que controla o Botafogo há décadas deixaria o clube de fato ser tocado por profissionais. Foi quando avisei que não mais seria investidor. Eu não poderia arriscar R$ 3 milhões dessa forma. (...) Sem o projeto S/A, há 99,9% de certeza de que o Botafogo não irá sobreviver - declarou Felipe.


Montenegro comentou as declarações do empresário e youtuber em coletiva, e elucidou ainda mais a situação.

- O próprio Felipe Neto, que eu gosto muito, se comprometeu a botar R$ 3 milhões e depois desistiu. Tentaram falar com ele por um mês e ele não retornou. Não tem problema, o dinheiro é dele e ele põe se quiser. Pode acreditar em um momento e desacreditar em outro. A única coisa que ele fez errado na minha opinião foi incendiar um processo que não tinha nada a ver, foi ele misturar uma derrota pro Cuiabá com S/A. Achei isso covarde. (...) O Botafogo está falido, toda receita está penhorada. Felipe Neto está omitindo a verdade dizendo que vai chegar à falência. Está falido. Se não fosse a torcida, se não fosse o comitê, se não fosse a ajuda de algumas pessoas, o clube já estava falido. O que estamos tentando é achar dinheiro novo para tirar o clube da falência. (...) Se nada acontecer, teremos que pensar em recuperação judicial sim. Não podemos ter despesas de R$ 10 milhões mensais e arrecadação de R$ 800 mil. Vão faltar R$ 9,2 milhões todo mês - disse o cartola.

Talvez a declaração mais forte de Montenegro na coletiva foi quando ele falou de dificuldades ainda mais sérias em relação à infraestrutura básica do Botafogo.

- Corre risco de levar W.O. Não tem receita, só conseguimos pagar salários. A vida não é só isso. Temos viagens, concentração, treino, água, luz, gás, bola. Outro dia comprei 18 bolas de futebol para eles treinarem. Não tinha bola! Por isso não estão jogando bem? Não! Porque eu comprei bola. Quem vai ajudar? Uma vaquinha? Felipe Neto? As pessoas que cobrem o Botafogo? Não sei quem vai fazer isso. Por isso precisamos de dinheiro novo - relatou.

Para o torcedor, fica a esperança mínima de que a casa se arrume e o clube se mantenha firme, ainda que sua grandeza exista apoiada em suas costas.

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