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Não é só para inglês ver

Por: Almeno Campos

Telão do King Power Stadium, em Leicester, informando a anulação do gol do Wolverhampton em cima do Leicester City, pelo Campeonato Inglês. Jogo terminou 0 a 0 (Foto: Reprodução / Twitter oficial da Premier League)

Olá, amigos e amigas da Alternativa Esportes! Tudo bem com vocês?


Estou aqui escrevendo mais uma vez a respeito do VAR. Sei que isso já está saturando muitos que acompanham futebol, mas agora vou trazer um fato que traz esperanças. No último fim de semana, iniciou mais uma temporada da Premier League, o Campeonato Inglês. Para muitos - estou incluído neste grupo - é o melhor campeonato nacional em nível técnico do mundo. Junto com a competição, começou também o uso do Árbitro de Vídeo. Foi a última das consideradas grandes ligas do planeta a adotar o uso desta tecnologia. Porém, em apenas uma rodada já deu para perceber o abismo de diferença entre o uso do VAR na Inglaterra em comparação ao Brasil.


A Premier League decidiu adotar procedimentos diferentes ao que é recomendado pela International Board, entidade que regula as regras do futebol no mundo. O objetivo é interferir o mínimo possível no jogo e no tempo da partida. Só para vocês terem uma noção, na primeira rodada do Campeonato Inglês, a demora máxima na revisão dos lances levou pouco mais de um minuto! Aqui no Brasil, muitos lances são revisados em quase cinco minutos, e não é exagero.


Vou colocar abaixo os tipos de lance. Junto com eles, os procedimentos recomendados pela International Board e o que é feito na Premier League:


Posição do goleiro na cobrança do pênalti


- Nos outros torneios: o VAR pode avisar que o goleiro se adiantou antes do chute e o juiz pode mandar voltar a cobrança, após consulta ao monitor.

- Na Premier League: O árbitro de vídeo não será o usado nesta situação. A decisão caberá somente aos árbitros em campo.


Marcação de pênalti por toque no braço


- Nos outros torneios: Com a ajuda do VAR, árbitro em campo deve marcar pênalti se acreditar que o jogador assumiu o risco de tornar seu corpo maior ao levantar os braços e, com isso, desviar a bola.

- Na Premier League: Para marcar pênalti, os árbitros deverão estar convencidos que o jogador usou o braço de forma deliberada para alterar a trajetória da bola.


Idas do árbitro ao monitor


- Nos outros torneios: Não há restrições quanto à quantidade de vezes que o árbitro em campo pode consultar o monitor à beira do campo.

- Na Premier League: Instrução para que o árbitro vá ao monitor à beira do campo apenas em casos imprescindíveis.


Agora atenção para os próximos três tópicos:


Impedimentos


- Nos outros torneios: Orientação é para que o assistente espere até o final da jogada para levantar a bandeira em caso de impedimento.

- Na Premier League: O pedido é que os assistentes marquem imediatamente lances óbvios, mas mantenham a bandeira baixa em caso de dúvida.


Tempo para consulta no VAR


- Nos outros torneios: Para validar o gol, não há limite de tempo para a arbitragem reiniciar a partida ou anular a jogada.

- Na Premier League: Determinação é que a verificação das jogadas de gol sejam rápidas e que a decisão seja tomada até o fim da celebração dos jogadores.


Imagens e replays


- Nos outros torneios: Varia de torneio para torneio. No Brasileiro, nem a TV nem o telão mostram o lance durante a revisão e só na televisão o replay é exibido após a decisão.

- Na Premier League: Pela TV, os telespectadores terão as mesmas imagens usadas pelo VAR. Nos estádios, será mostrado replay quando a marcação for alterada. Em dois estádios que não possuem telões (Old Trafford, do Manchester United, e Anfield Road, do Liverpool), o uso é avisado nos sistemas sonoros.


Em relação aos impedimentos, no Brasil a recomendação é que as jogadas sigam até o fim e, só então, seja marcado o impedimento caso haja uma posição irregular. Isso para que, caso haja um erro, o lance será revisado. Porém, muitas vezes acontecem lances em que há um impedimento claríssimo e, mesmo assim, o jogo segue até o término da jogada.


A respeito do tempo de consulta ao VAR, foi o que falei anteriormente. Há uma demora gigantesca. Em muitas jogadas, o árbitro de vídeo pode informar ao juiz de campo que houve uma infração certa e que, com isso, não há a necessidade de ir ao monitor na beira do gramado para revisão. Porém, muitos acabam indo à telinha para ver, e ficam conversando, perguntando como vai a família, começam a gravar um podcast...


Por fim, no quesito "Imagens e Replays", há uma coisa que me incomoda. Em competições organizadas pela FIFA, a pessoa que está assistindo na TV tem a mesma imagem que o árbitro de campo está vendo no monitor. Aqui no Brasil, você que assiste a partida pela TV, pelo celular ou por outros meios só vê o replay depois da marcação definitiva. Nos estádios, não é mostrada nenhuma repetição.


Há um outro detalhe da Premier League: o Twitter oficial da competição traz tweets com o motivo da revisão de um lance. Como exemplo, durante o jogo entre Leicester City e Wolverhampton, o meia belga Dendonker marcou um gol, mas que acabou sendo anulado pois o zagueiro francês Willy Boly tocou com a mão na bola na origem da jogada. Segue abaixo a tradução dos tweets:


"O gol é um das quatro ocasiões em que o VAR é reportado, então há um atraso para que o VAR cheque uma possível mão na bola"


No tweet seguinte: "Depois de consultar o VAR, o árbitro Andre Marriner anulou o gol porque houve uma mão na bola de Willy Boly no começo"

Tweets da conta oficial da Premier League no Twitter informando o motivo da anulação do gol do Wolverhampton em cima do Leicester. Jogo terminou 0 a 0 (Foto: Reprodução / Twitter Premier League)

O nome disso é transparência. Só como comparação, no último sábado (10/08), estive no Maracanã para trabalhar na transmissão de Flamengo e Grêmio, aqui na Alternativa Esportes, ajudando na produção da jornada esportiva. O gol gremista, marcado pelo lateral-direito Rafael Galhardo, de pênalti, saiu após a revisão no VAR, na qual foi marcada a penalidade. Porém, no começo ninguém sabia o motivo do árbitro rever a jogada. Só soube depois que um colega da imprensa ao meu lado, que estava vendo o jogo pela Internet, falou que, na transmissão da TV, informaram o motivo: um puxão de camisa do zagueiro Pablo Marí, do Flamengo. Então, corri avisando aos companheiros da Rádio do ocorrido.


Assim como muitas regras do futebol mudaram com o passar dos anos, o VAR também passará por melhorias. Porém, a CBF pode usar o exemplo da Premier League. O que acontece aqui é uma vergonha. Por quê não fazer igual aos ingleses? É tão difícil? A revisão pode ser informado a todos também pelo sistema de som do estádio, como acontece na NFL, a liga de futebol americano lá nos Estados Unidos.


A CBF tem recurso para isso. Basta querer fazer. Isso também traz transparência, pois muitas pessoas, incluindo profissionais da imprensa, já estão começando a duvidar da imparcialidade dos árbitros. Isso não pode acontecer.

© 2018 Alternativa Esportes. Orgulhosamente criado com Bruno Pinheiro. 

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