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Mulheres trans no esporte

Por: Rômulo Diego Moreira

Tiffany Abreu foi a primeira trans a jogar a Superliga (Foto: Marcelo Ferrazoli/ Vôlei Bauru)

Há dois momentos no ano que o tênis transcende sua comunidade e eleva seu grau de popularidade: em julho, quando começa o maior torneio de todos, Wimbledon; e entre agosto e setembro, Nova Iorque ferve para o US Open. Por isso, Martina Navratilova, a maior campeã do Grand Slam inglês com nove títulos, foi o centro das atenções. Poucos meses depois de dizer que mulheres transsexuais em competições femininas seria “loucura e trapaça”, a ex-tenista de 62 anos mudou o discurso. A repercussão foi gigantesca. O jornal The Guardian e a rede BBC levaram o assunto de mulheres trans no esporte à agenda.


A declaração original surpreendeu a todos. Navratilova é ativista. A lendária tenista exerce sua influência como embaixadora do movimento LGBT. Ela é casada com Julia Lemigova desde 2014. A avaliação é de que as declarações prévias foram baseadas na ignorância. O processo médico para um atleta trans competir demora cerca de dois anos, segundo a colunista Owl Fisher, do The Guardian. Além disso, há regras concretas e objetivas. De acordo com regulamentação do COI de novembro 2015, mulheres trans precisam de reconhecimento civil, ou seja, se declarar sob o novo gênero e ter a quantidade de testosterona controlada para poder competir em torneios femininos. O nível permitido é de até 10 nanomol de testosterona por litro de sangue nos 12 meses anteriores ao torneio.


No documentário da BBC One, a retórica da tcheca naturalizada americana foi marcada pela temperança. “O nível de dificuldade que as pessoas trans passam não pode ser subestimado. A luta por igualdade e reconhecimento é enorme. A sociedade mudou. As regras certamente precisam evoluir”, afirmou. De fato, o século XXI traz novas demandas à sociedade e ao esporte. Neste sentido, é importante haver ciência para determinar normas ao invés de achismo fundamentado em preconceito.


Navratilova mudou opinião sobre atletas trans (Foto: AP Photo/Vincent Thian)

No Brasil, o caso mais famoso é da jogadora Tifanny Abreu, a primeira trans a disputar a Superliga de Vôlei. No final de 2012, ela decidiu começar a transição de gênero fora do país. O processo foi lento. A atleta passou por duas cirurgias e um tratamento hormonal para a diminuição dos seus teores de testosterona, um hormônio caracteristicamente masculino. Na época, não imaginou que retornaria a jogar vôlei, porém, em 2017 recebeu da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), uma autorização formal para se inscrever em ligas femininas. Se o limite é de até 10 nanomol de testosterona, normalmente, os exames apresentam 0,2 nanomol.


Caso a esportista esteja dentro das regras, não existem motivos para segregar. Como diz agora a detentora de 18 Grand Slams. “Acho que precisamos incluir o maior número possível de atletas trans dentro do esporte de elite, mantendo o máximo possível de igualdade de condições”. Se ela pode mudar sua opinião, o esporte também pode fazê-lo.

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