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Jogos olímpicos de Tóquio: entre os interesses econômicos e humanitários

Por Luiz Cláudio

É crescente a pressão sobre o COI para que os jogos Olímpicos sejam adiados. (FOTO:REUTERS)

O que está por trás do não adiamento dos Jogos olímpicos de Tóquio? Quanto vale um evento dessa magnitude? O COI (Comitê Olímpico Internacional) e o Comitê Organizador de Tóquio 2020 estão protelando o anúncio do adiamento do evento que tem início previsto para o próximo 24 de julho. Por quê?


Bem antes da realização dos Jogos Olímpicos Rio-2016, o Japão já vem se preparando. Eles têm infraestrutura de primeiro mundo e tecnologia de ponta. Ou seja, o padrão japonês é padrão FIFA. Ou melhor, padrão COI. Muitos recursos forma empregados e muitos ainda serão para a realização do evento. O orçamento propõe algo em torno de U$ 28 bilhões. O pontapé inicial foi dado em setembro de 2013, quando Tóquio foi escolhida como a cidade sede dos Jogos.

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Qual será o prejuízo em se adiar os jogos? Segundo os organizadores, a Olimpíada será a mais rentável da história. Olhando pelo prisma meramente mercadológico, dói adiar os jogos. São inúmeros os prejuízos. Por isso, talvez, a relutância em se anunciar o quanto antes o adiamento dos Jogos. A insistência em rechaçar qualquer sugestão contrária à realização do evento. Além dos já citados investimentos, há valores, na casa de U$ 1,5 bilhão, empenhados com os principais patrocinadores. Outras empresas gigantes já investiram U$ 3 bilhões no Comitê Organizador de Tóquio. Mais de 4,5 milhões de ingressos já foram comprados pelos cerca de 400 mil turistas que “visitariam” a cidade. Isso dá um faturamento de mais de U$ 2 bilhões. As emissoras que compraram os direitos de transmissão gastaram mais de U$ 4 bilhões. As cifras falam por si. Ainda há um elenco de números não citados que nos levam a conclusão de que o prejuízo é incalculável.

Prejuízo técnico


Como imaginar os Jogos sem atletas? Ou sem torcida, como chegou a sugerir o COI?

Salvo raríssimas exceções; o futebol e o time americano masculino de basquete são duas delas; todo atleta sonha em disputar as Olimpíadas. Quando um competidor chega ao nível de ser considerado atleta de ponta, qualquer alteração em sua rotina de treinamentos afeta consideravelmente o seu desempenho. Em virtude da quarentena imposta a diversos atletas, a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio, sob o ponto de vista técnico, já está comprometida. Não dá para se esperar o melhor de um atleta em um intervalo curto de preparação, pois o que se desenha é um afastamento ainda sem data para terminar. A pandemia do Covid-19 infelizmente ainda não atingiu o seu ápice.


Efeito cascata


É crescente a pressão sobre o COI para o adiamento dos jogos. Brasil, Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Noruega e Canadá já explicitaram que são contrários a realização dos Jogos, na data prevista. Austrália, Canadá e Noruega foram mais longe. Estão dispostos a não enviar seus atletas e boicotar o evento, se prevalecer a insistência da realização dos Jogos neste momento. Maioria esmagadora dos atletas é contrária a realização dos Jogos na data prevista.


Nestes dias sombrios, de proliferação desenfreada do novo coronavírus, onde a lucidez deve imperar sobre questões de toda e qualquer ordem, que as autoridades competentes mostrem mais comprometimento com o ser humano, em detrimento das inúmeras questões financeiras. Com o ser humano atleta, espectador, turista, profissional de imprensa e o ser humano local. Que as questões de logística e planejamento assumam nesta hora um papel secundário, pois assim devem ser, quando forem colocadas em condições de parâmetro com a vida humana. Os dias são de aprendizado. Para todos. Que quem tem diante de si o poder de decisão tire as melhores lições destes dias.


O que nós, amantes dos esportes, desejamos, é que venham os Jogos Olímpicos de Tóquio, mas não agora. Finalmente, no final da reportagem, o comitê confirmou o adiamento para 2021. Até o momento, sem data definida.

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