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Há 38 anos, o America-RJ era campeão dos campeões no futebol brasileiro; relembre a conquista

Este é um artigo opinativo. O texto abaixo é de total responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a opinião da Alternativa Esportes Web Rádio.


Por Luiz Cláudio


Em pé: Gasperin, Zedílson, Aírton, Everaldo, Chiquinho e Pires. Agachados: Serginho, Gilberto, Luisinho, Moreno e Gilson Gênio. Essa é uma parte do America campeão de 1982 | Foto: Arquivo Pessoal/Paulo Cézar Carreira

O que fazer num sábado à noite, no dia dos namorados? Em tempos de isolamento social, não muito. No dia 12 de junho de 1982, sábado à noite, a torcida do America foi ao Maracanã para ver a final da Taça dos Campeões. Em 1982, o Brasil vivia a expectativa de conquistar pela quarta vez a Copa do Mundo. A espera de 12 anos já incomodava o torcedor canarinho. Véspera de Copa, o Brasil montara uma excelente Seleção para disputar o Mundial da Espanha.


Na Copa anterior, disputada na Argentina, o Brasil foi o único invicto, e embora não tenha sido campeão, a Seleção vencera todos os amistosos preparatórios contra os melhores esquadrões do mundo. O Flamengo era o atual campeão do mundo e também campeão da Taça Libertadores da América. O cenário era favorável para que a torcida acreditasse que o Brasil seria campeão do mundo. Tudo apontava para isso.


O Flamengo, um mês e meio antes, acabara de conquistar o Campeonato Brasileiro, e neste contexto, sem calendário, a CBF resolveu organizar um torneio para dar atividade aos clubes, enquanto não começava a Copa do Mundo. Participariam da competição todas as equipes que já tivessem conquistas nacionais ou vice-campeonatos. Pelo critério adotado, os campeões e vices do Campeonato Brasileiro, do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, da Taça Brasil e do Torneio Rio São Paulo estavam habilitados a participar do certame.

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Foram 17 equipes que preenchiam os requisitos. Para fechar a competição em 18 times, um número par, a CBF convidou o America, que era o clube que não atendia os requisitos para participar, mas que contava com o maior número de participações dentre os não qualificados. Diante da desistência do Flamengo, que preferiu realizar amistosos com seu vistoso time na Europa, a CBF se viu obrigada a convidar mais uma equipe. A segunda com mais participações em torneios nacionais. Neste quesito, Santa Cruz e Paysandu estavam empatados, e o time de Pernambuco conseguiu a vaga em jogo de desempate. Assim, America e Santa Cruz eram exceções entre os participantes, pois ainda não haviam conquistado títulos nacionais. Desta forma, foi criado o Torneio dos Campeões.


O America estava longe de ser considerado favorito, pois as grandes equipes do futebol brasileiro jogariam a competição. Na primeira fase, a Mecão caiu numa chave dificílima: no grupo C, juntaram-se ao time carioca o Atlético-MG, que dois anos antes decidira o Brasileirão contra o Flamengo, e que tinha Reinaldo no comando do ataque, o Cruzeiro e o Grêmio, que acabara de ser vice-campeão brasileiro, ao perder a final para o Rubro-Negro. Porém, no ano seguinte conquistaria a Taça Libertadores da América e o Mundial de Clubes. O Imortal ainda tinha na ponta direita um jovem que viria a se tornar o grande ídolo do clube: Renato Gaúcho. Surpreendentemente, o clube tijucano terminou a sua chave em primeiro lugar, com oito pontos, numa época em que a vitória rendia dois pontos. Nos seis jogos, foram duas vitórias e quatro empates.


Nas quartas-de-final, o Rubro eliminou o Atlético-MG, em vitória por 1x0 no Maracanã. Nas semifinais, jogo épico no Canindé. A adversária era a Portuguesa de Desportos. Depois de um empate em 1x1 no tempo normal e também 1x1 na prorrogação, com o zagueiro Zedilson empatando o jogo para o America no final do segundo tempo da prorrogação, o clube carioca venceu nos pênaltis por 4x3. O time mais desacreditado do torneio chegava à final, e o adversário era o Guarani de Campinas, campeão brasileiro em 1978.

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Gilson Gênio marcou o gol do título do Rubro | Foto: Arquivo Pessoal

Diferentemente das quartas-de-final e das semifinais, que foram disputadas em jogo único, a decisão teria dois jogos. A primeira partida foi realizada no estádio Brinco de Ouro da Princesa, casa do Guarani, em Campinas, no dia 10 de junho de 1982, e terminou empatada em 1x1. Dois dias depois, no Maracanã, foi disputado o jogo de volta. Com ingressos majorados e uma forte chuva que caiu sobre a cidade, o público para a final foi pequeno. Cerca de 12 mil pessoas compareceram ao Estádio Mário Filho.


O America começou melhor a partida e não demorou a abrir o marcador. Aos 12 minutos, o jovem Moreno, habilidoso meia, que atuava improvisado como centroavante, colocou o time carioca em vantagem. O Rubro até chegou a criar outras oportunidades, mas não foi eficiente nas finalizações. No segundo tempo, o Bugre foi pra cima e chegou ao gol de empate através de Delém, aos 17 minutos. O placar não foi alterado até o término do jogo, que com o novo empate, foi para a prorrogação.


Porém, faltando cinco minutos para terminar o segundo tempo da prorrogação, o America chegava ao gol do título por intermédio do cerebral Gilson Gênio. A partida terminou com a vitória do clube carioca, em pleno 12 de junho, dia dos namorados, num verdadeiro conto de fadas que terminou em festa para a torcida rubra. O America conquistava de forma invicta o seu primeiro título nacional e o mais importante de sua história. Como aquela foi a única edição do Torneio dos Campeões, o America é o único campeão dos campeões do futebol brasileiro.

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