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Gol: o balançar das redes e o coração do torcedor

A partida de futebol é um ritual em cada canto do país, já faz parte da vida da cidade e do torcedor. O jogo começa antes mesmo do apito inicial, já no pré-jogo as situações começam a se desenhar, pois, sempre terá a zoação no trabalho, no bar e nas ruas. Tudo isso mexe com o coração do torcedor. Existe uma ansiedade visível para ver a bola balançando as redes.


O futebol é um símbolo de identidade nacional — Rosa Cristina Monteiro, Professora de Psicologia da UFRRJ e torcedora do Flamengo.


Um domingo de futebol começa de um jeito diferente, pois, existe toda uma preparação para o grande momento. Nesse dia, o torcedor conta com uma rede de ajuda para que chegue ao estádio, porque precisa do padeiro, do jornaleiro, do motorista de ônibus e a soma de tudo isso faz com que ele realmente chegue a grande festa.


A chegada ao entorno do estádio é uma loucura. São bandeiras, músicas, muita gente falando e muita ansiedade. São os minutos que não passam, as enormes filas que não andam, o misto de sentimentos é evidente.


No pré-jogo há muito mais comoção e festejo pelo que está por vir — observa o repórter Cahê Mota, do Globo Esporte, em suas coberturas.


Após a entrada no estádio, tudo se torna muito mais claro. O campo, o aquecimento dos jogadores, os cantos das torcidas, a harmonia entre os torcedores. Todo esse clima vai criando um ambiente propício a grandes emoções. É nesse momento que os envolvidos estão no auge da tensão do jogo, loucos esperando o apito soar.


Onde se separam os homens dos meninos


Agora a bola rola no gramado, o sol brilha mais forte, as bandeiras se agitam, e em uma só voz, como um coral entoando a mais bela canção, o hino dos clubes é cantado a plenos pulmões nesse momento do jogo, jogadores se estudam, sentem as torcidas, sentem o clima e a adrenalina sobe para todos. A bola rolando anuncia o começo do espetáculo.


A tensão está no ar, jogo de ataque e defesa, sorriso e angústia. O torcedor se segura como pode, ou como dá. O que importa nesse momento é o placar se mexer, mas nada acontece. Dessa forma, há duas maneiras de se comportar: apoiar ou vaiar seu time. É então que se cria uma nova rede: a interação gera apoio ou vaia e isso os jogadores já conhecem bem.


Em minha carreira, eu aprendi que o torcedor é muito coração, O mesmo que te vaia será o que irá te aplaudir. Tem jogador que não suporta a pressão, já para outros as vaias mexem com o desempenho e rendem muito mais — comenta Wellington Monteiro, atleta campeão do Mundo pelo Internacional.


E, nessa mistura de sentimentos, o torcedor é determinante para a atuação do time, como confirma Cahê Mota:


Acredito que na maioria dos cenários a torcida surge como um fato motivador do time da casa mais do que amedrontador para o visitante. E tudo estará sempre diretamente ligado ao rendimento em campo. Acho que aquilo produzido em campo interfere mais no comportamento da torcida do que o contrário.


E, quando mais o tempo passa, os nervos ficam à flor da pele, cada uma daquelas milhares de pessoas reagem de forma diferente. Essa mistura explosiva só dá combustível para a angústia. A torcida do time que ataca sorri e canta esperando o gol. Já a torcida do time que é atacado e só aflição, roer de unhas, arrancar de cabelos. Entretanto, ali é só um espectador e o que resta é rezar.


É normal do ser humano quando se trata de tudo que envolve a paixão. A montanha-russa de sentimentos faz parte deste processo, até por se tratar de algo que vai além do controle do torcedor, que é o resultado da partida — afirma Cahê Mota.


O grande momento


Como bem lembra Wellington Monteiro, “o gol faz até morto levantar, porque tá tudo na mente” E são esses momentos que marcam a vida de todos os apaixonados por futebol e até de quem não é. O gol é o momento mais importante, e quando tudo se une em um só grito, o balançar das redes faz lágrimas caírem e sorrisos se abrirem. O momento em que um se une ao todo, como uma bela rede que se aglomera para pegar os mais belos peixes, pois, estão todos ali juntos por uma única motivação, ver seu time ganhar.


É o ápice, seja da empolgação ou da frustração e, como tudo na vida, há reações distintas. Um gol sofrido pode gerar gritos de incentivo ou de revolta. Tudo é muito subjetivo. Não há ciência exata quando se trata de emoção — ressalta Cahê Mota.


É nessa hora que acontece tudo, é o auge do espetáculo. Na visão da psicóloga Rosa Cristina Monteiro, o gol é “uma descarga emocional, que é um efeito da identificação”.


Um gol é o estopim da festa, seja no estádio ou na frente de aparelhos de TV a quilômetros dali. Porém, o grito de alívio só será dado quando o apito final soar. Numa sincronia total, os cantos, os abraços, os sorrisos serão dados para quem venceu. Para quem perdeu resta à lamentação e a esperança de vencer numa oportunidade futura.

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