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Gansou! Mas será que isso é bom?

Por: Rafael Magliano


Foto: André Durão


A euforia da torcida tricolor carioca tem nome e sobrenome: Paulo Henrique de Chagas Lima, mais conhecido como Paulo Henrique Ganso. Se no período pós-Unimed os torcedores passaram a se contentar com nomes poucos expressivos e ambições que não estavam a altura da rica história do Fluminense, este ano parece que será diferente. O anúncio bem criativo do novo camisa 10 das Laranjeiras nas redes sociais deixou a torcida radiante, que promoveu um “AeroGanso” no Aeroporto Santos Dumont, quando o craque desembarcou em solo carioca. Tal empolgação pode sim ter uma dose de exagero, mas também se justifica.


O começo de ano era de pouca expectativa para o Fluminense. Júlio César, herói tricolor na luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro do ano passado, Gum, eterno ídolo do clube, Ayrton Lucas, promessa da base e destaque do ano passado, Richard, peça importante no meio-campo, Sornoza, camisa 10 e craque do time, entre outros jogadores, foram embora do clube e deixaram o time refém de bons jogadores. Este fato acabou aumentando a pressão em cima do presidente Pedro Abad, que já não conta com a simpatia do torcedor.


Com pouco dinheiro em caixa e muita dívida para pagar, a solução encontrada foi apostar em jogadores pouco conhecidos, como o goleiro Agenor, o meio-campista Caio Henrique, os atacantes Luis Felipe e Yony González, além de jogadores mais rodados e em baixa nos seus clubes, como Bruno Silva e Ezequiel, do Cruzeiro e Matheus Ferraz, do América-MG. Para comandar o time, o escolhido foi Fernando Diniz, ex-atleta do clube e dono de uma filosofia de jogo ousada para os padrões brasileiros.


Até aí, nenhuma grande novidade. O ano seria exatamente da forma como a torcida imaginava, sem grandes ambições e provavelmente lutando mais uma vez contra o rebaixamento. Mas aí, veio a tacada de mestre! Por que não resgatar um craque brasileiro, com a moral abalada e precisando se reerguer, e torná-lo a principal referência do time no ano de 2019? Era tudo o que o torcedor precisava para voltar a acreditar no time, principalmente, após ver que o rival Flamengo está montando um time recheado de estrelas.


E o escolhido foi Paulo Henrique Ganso, ex-jogador do Santos, São Paulo, Sevilla(ESP) e Amiens(FRA). O ex-menino da Vila teve um início de carreira promissor com a camisa do Santos, onde, ao lado de Neymar, conquistou o tricampeonato paulista (2010, 2011 e 2012), a Copa do Brasil (2010), a Libertadores da América (2012) e a Recopa Sul-Americana (2012). Ganso jogou tanto com a camisa do Peixe que chegou a ser cogitado para disputar a Copa do Mundo de 2010, mas acabou não sendo chamado pelo então técnico Dunga. Em 2012, foi negociado com o São Paulo e, desde então, não conseguiu mais apresentar o mesmo futebol. Viveu apenas de lampejos. No Tricolor Paulista, Ganso só foi campeão da Sul-Americana (2012). Pouco para quem chegou com grande expectativa e até brigou com a torcida santista para jogar no Soberano.


A tão aguardada chegada à Europa ocorreu em 2016, quando foi contratado pelo Sevilla (ESP), onde chegou a ter um início empolgante, mas, com o decorrer dos jogos, voltou a apresentar inconstâncias e chegou até a figurar no banco. A carreira do craque degringolou de vez quando, em 2018, foi contratado por um clube da segunda divisão francesa, o Amiens. Para quem despontou como um craque ao lado de Neymar, chega a ser cruel comparar o caminho dos dois pós-Santos.


Fluminense e Ganso precisam um do outro. O Fluminense precisa do novo 10 para além dos gramados. O jogador representa a volta da autoestima tricolor, vendas de camisa, um poder maior de atração para futuros investidores, enche estádio. Dentro das quatro linhas, o Fluminense não possui um camisa 10 com as características de Ganso, que chama o jogo pra si e consegue resolver, tanto com gols como com assistências. O craque pode fazer uma dupla de alto nível com o jovem Pedro, quando este se recuperar da lesão que teve no joelho, em 2018. No imaginário do torcedor, um ataque com Ganso, Yony González, Luciano (ou Everaldo) e Pedro seria suficiente para almejar coisas grandes. Será?


Já para PH Ganso, o Fluminense significa uma retomada significativa na carreira, uma oportunidade de jogar em um clube que está se reestruturando, que teve um ótimo início de ano, recuperando jogadores, e que entra nos campeonatos sem a obrigação de conquistar títulos, o que pode contribuir para que o jogador faça o seu trabalho sem muitas cobranças. E com tempo para poder se encaixar no time e virar a estrela principal do elenco.


Entre o copo meio vazio e o meio cheio, prefiro ser otimista. São cinco anos de contrato para que o Paulo Henrique Ganso consiga mostrar para ele, para a torcida tricolor e para a nação brasileira que aquele menino que despontou em 2008, como possível melhor jogador do mundo, consegue mostrar novamente um futebol de encantar o mundo.


Agora quem dá a bola é você, craque!

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