• Alternativa Esportes

Fla atinge marcas negativas e escancara problemas em goleada sofrida; veja números ruins com Dome

Por Luca Garcia


Apatia e goleada: Flamengo sofreu pior derrota em muito tempo | Foto: Pool/Getty Images

O mesmo elenco campeão da América em 2019 protagonizou a pior exibição na Libertadores em toda a história do Flamengo. Além disso, o placar de 5x0, construído pelo forte time equatoriano do Independiente del Valle, na última quinta-feira (17), foi o mais elástico sofrido por um detentor de título em 60 anos de competição. Logo, o vexame presenciado na altitude de Quito, expõe a instabilidade que ronda o clube da Gávea desde a chegada de Domènec Torrent e sua comissão técnica.


Os próximos dias para os torcedores rubro-negros não serão nada fáceis. A angústia do surpreendente placar sofrido na reestreia da competição internacional permanecerá, pelo menos, até a 4ª rodada, na próxima terça-feira (22), quando enfrenta o lanterna do grupo, Barcelona de Guayaquil, às 19h15, novamente em solo equatoriano.


No entanto, este próximo confronto não vai ter o fator da altitude, em tese, o que atrapalharia muito o time carioca. Porém, somente em tese: o que foi visto na última quinta retrata que as condições geográficas presentes no Equador interferiram até certo momento, contudo, o Rubro-Negro foi muito inferior no emocional, na tática e no físico durante os 90 minutos em campo.


Foi a pior derrota do Flamengo na história do clube na Libertadores | Foto: Foto: Jose Jacome/Pool via Reuters

Jogadores irreconhecíveis


É evidente que os atletas que entraram em campo têm grande parcela na catástrofe rubro-negra. Miguel Ángel Ramírez, treinador do Del Valle, foi muito feliz em declaração na coletiva após o término do jogo, dizendo que "o Flamengo é bom individualmente, porém, nós, como equipe, somos muito melhores".


Em partes, o espanhol de 35 anos, que foi cogitado no Fla antes da contratação de Dome, está certo. Entretanto, o que aconteceu na partida foge de qualquer especulação positiva do time carioca em variados aspectos. Isso porque, nenhum jogador se salvou de uma má avaliação, e algo que exemplifica bem isto são os gols, sem tirar o mérito da execução extremamente qualificada em todos os cinco tentos.


No lance do primeiro gol, ainda na primeira etapa, o jovem Moisés Caicedo teve muita lucidez ao fazer o corta-luz que desestruturou a defesa rubro-negra. No entanto, após receber o passe dentro da área, o jogador de 18 anos, estava a frente de três marcadores: Rodrigo Caio, Léo Pereira e Filipe Luís, além de não ser acompanhado por Arão, que apenas trotava enquanto via o lance se desenrolar. Já na segunda vez em que o mandante balançou as redes, o lateral-direito Preciado fez fila no meio-campo sem ser incomodado. Após isso, tabelou na entrada da área, e novamente, sem marcação alguma, teve todo o tempo para ajeitar o corpo e marcar um golaço.


No ataque, o time carioca praticamente não construiu, sem conseguir girar a bola ou mantê-la em domínio. Além disso, as linhas extremamente distanciadas impossibilitavam qualquer tentativa até em possíveis contra-ataques. Logo, a apatia dos jogadores do Flamengo facilmente se tornou em desespero para não levar mais gols. Os números da partida, mostram perfeitamente o que aconteceu:


- Posse de bola: IDV (59%) x (41%) FLA

- Finalizações: IDV (20) x (5) FLA

- Finalizações no gol: IDV (11) x (2) FLA

- Escanteios: IDV (4) x (1) FLA


Apesar da atuação para se esquecer, não se deve tirar o mérito do Del Valle. O time da pequena cidade de Sangolquí recentemente foi vice-campeão da Libertadores (2016) e campeão da Copa Sul-Americana (2019). Assim, a ascensão da equipe fica clara, também, em números: com sete vitórias e três empates nos dez jogos que disputou desde a volta do futebol. Além de ser líder do campeonato nacional, agora assume a ponta do Grupo A, tendo a melhor campanha da competição – 100% de aproveitamento, com 11 gols marcados e nenhum sofrido.


Domènec ainda não conseguiu implantar filosofia de jogo no Flamengo | Foto: Kely Pereira/AGIF

Dome erra e tem futuro pressionado


Mais uma vez, Domènec Torrent não conseguiu implantar na cabeça dos jogadores a ideia dele de futebol. A estratégia do Flamengo, desde o início, definitivamente não deu certo. O catalão entrou com Diego para articular as jogadas, porém, na primeira etapa, o time mal tocou na bola e, ao atacar, tentava contra-ataques incompatíveis, uma vez que não possuía velocistas em campo. Entretanto, a marcação, ao menos, parecia dar conta do recado.


Já na segunda etapa, o técnico lançou na equipe o então recuperado de lesão, Bruno Henrique, após 18 dias sem atuar. Com isso, a marcação alta começa a aparecer, no entanto, mas uma vez sem coerência, os blocos ofensivos não faziam pressão. Daí em diante, o time se perdeu: ao adiantar suas linhas, os jogadores facilmente foram vencidos pelo cansaço da altitude, e, consequentemente, pela velocidade mortal implantada pelo time de Ramírez. Após o término da partida, o comandante rubro-negro ainda deu declarações polêmicas, em coletiva de imprensa, como dizer que a equipe do Flamengo não foi apática.


Início de Dome muito inferior em relação a Jesus


Logo, na cabeça do torcedor, é impossível não comparar esse início de trabalho, com o do antecessor, Jorge Jesus. Assim, mais uma vez em números, a situação se torna mais problemática:


- Com 46 jogos a menos, Flamengo de Dome já levou 38,3% dos gols sofridos pelo time de 2019, comandado pelo Mister.


- Jorge Jesus perdeu quatro vezes em 57 partidas à frente do Rubro-Negro. Já Dome igualou esse saldo negativo em 11 jogos.


- Sob o comando da comissão técnica portuguesa ano passado, das oitavas até a final, o Flamengo levou cinco gols na Libertadores. Já esse ano, o time comandado por Dome sofreu a mesma quantidade, porém em uma só partida, justamente contra o Del Valle.


- O Fla de Jorge Jesus fez 11 gols com cinco jogos a menos que o do catalão. A média de gols por jogo, no recorte das 11 primeiras partidas de Dome e seu antecessor, caiu de 2,09 para 1, pois o time de JJ havia feito 23 tentos nos 11 confrontos iniciais, já o atual fez apenas 11.


- A média de gols sofridos, no mesmo período, subiu de 1,1 para 1,6. Na mesma temática, o time do Mister sofreu 13 gols, enquanto o do espanhol, 18.


Assim, enquanto todas as esferas do clube da Gávea seguem pressionadas por um bom desempenho, a equipe continua no Equador, aonde enfrenta na próxima terça-feira (22) o Barcelona (EQU), a fim de voltar ao Rio de Janeiro com o clima mais leve e a classificação encaminhada.

© 2018 Alternativa Esportes. Orgulhosamente criado com Bruno Pinheiro. 

  • Facebook - Alternativa Esportes
  • Instagram - Alternativa Esportes
  • Twitter - Alternativa Esportes
  • Youtube - Alternativa Esportes
  • Facebook - Alternativa Esportes
  • Instagram - Alternativa Esportes
  • Twitter - Alternativa Esportes
  • Youtube - Alternativa Esportes