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E a Ética foi definitivamente pro brejo!

Por José Roberto Julianelli


A famosa "dança das cadeiras" dos técnicos veio com força no fim do Brasileirão 2019 (Arte: Site Esportes R7)

O Campeonato Brasileiro da Série A está em sua reta final – faltam apenas três rodadas para acabar – mas ainda está protagonizando cenas inimagináveis. Quando a gente pensa que já viu de tudo, eis que personagens, alguns com histórico no mínimo questionável, surgem e nos dão um espetáculo dantesco.


Ao final da 35ª rodada (28/11), a tabela de classificação indica que Avaí e Chapecoense já estão rebaixados, curiosamente, dois representantes do futebol catarinense. Ainda com grande chance de “conquistar” as duas outras vagas brigam desesperadamente o CSA, o Cruzeiro (que nunca caiu) e o Ceará, esses com as maiores chances de cair, mas ainda não se pode descartar o Fluminense, Atlético-MG e Botafogo.


Diante de uma situação desastrosa, resultado muitas vezes de erros de planejamento, contratações equivocadas e políticas irresponsáveis de gastar mais do que se arrecada, alguns dirigentes, numa demonstração de desespero e despreparo, começam a “jogar para a torcida”, tomando atitudes risíveis, descabidas, faltando apenas três jogos para terminar o certame. Entretanto, essas ações são comuns nos nossos clubes e dirigentes, e isso não é novidade.


Mas o que causou espanto dessa vez foi a dança de treinadores, no mínimo estranha, considerando o contexto em que aconteceram. Vejamos: o Cruzeiro de Abel Braga perdeu em pleno Mineirão para o CSA, de Argel Fucks, o que deu uma remotíssima esperança de sobrevida ao time alagoano e afundou ainda mais a Raposa. Abel Braga não compareceu à coletiva de imprensa, como é o costume, o que deu pistas de que iria sair, fato que se confirmou na manhã seguinte. O Ceará, de Adilson Batista, que na véspera foi goleado pelo Flamengo no Maracanã por 4 a 1, após ter virado o primeiro tempo vencendo por 1 a 0, ainda assim ficou fora do temido Z-4. Aí, de repente, Argel deixa o CSA, virtualmente rebaixado, e se acerta com o Ceará, que está numa situação menos dramática. Já o Adilson sai do Ceará e vai para o Cruzeiro, que está numa situação mais complicada que a do Vozão, e quem fica abandonado no final das contas é o CSA, que aparentemente não terá um treinador até o fim da temporada.


A questão que se coloca é a seguinte: os treinadores reclamam da instabilidade que têm no cargo, que os clubes (dirigentes) e os torcedores são passionais demais, que não têm paciência para esperar que seu trabalho comece a dar resultados, e que após algumas derrotas em sequência, já começam a pressionar por mudanças, que geralmente acabam acontecendo. Se por um lado os treinadores estão com alguma razão, as atitudes vistas no final desta rodada, desqualificam e tornam incoerentes esses argumentos.


O que teria motivado as decisões do Abel, do Argel e do Adilson? Será que o Abel reconheceu humildemente sua incompetência nesse momento e “colocou o cargo à disposição”, ou seria uma atitude movida pela vaidade, pensando “eu não quero ser marcado como o técnico que levou o Cruzeiro para a segunda divisão”? E o Argel? Abandonou uma situação praticamente irreversível para buscar um caminho que, ainda que esteja complicado, tem um pouco mais de possibilidade de não se concretizar? Estaria querendo salvar sua própria pele, sem levar em conta os profissionais que deixou para trás? E o Adilson, treinador que já teve uma boa passagem pela Raposa, estaria pensando em se tornar um herói, tirando o Cruzeiro do abismo e, por conta disso, receber uma estátua na Toca da Raposa? Ou está mirando no próximo ano, entendendo que será reconhecido pela diretoria e pelo torcedor por ter tido a coragem e o altruísmo de, por amor ao clube, trocar uma situação difícil por uma praticamente impossível?


Evidentemente estou fazendo suposições, não posso e não estou afirmando que essas tenham sido as reais motivações, mas que em todos os casos, a ética foi mandada para o espaço, eu não tenho qualquer dúvida. Para mim, uma situação que deveria envergonhar a classe de treinadores brasileiros, muitas vezes corporativistas e em alguns casos recentes, xenófobos, que tanto reclamam por respeito e dignidade, mas quando precisam demonstrar um mínimo de coerência, agem como esses treinadores nesses últimos episódios.

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