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‘Dois pesos e duas medidas’; times reduzem salários, mas criticam corte de verbas da Globo

Atualizado: Mai 7

Por Rômulo Diego Moreira


Este é um artigo opinativo. O texto abaixo é de total responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a opinião da Alternativa Esportes Web Rádio.


Reunião entre os presidentes de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco (FOTO: AGÊNCIA FERJ)

A crise da pandemia do novo coronavírus numa perspectiva global escancara a realidade da péssima administração da gestão do futebol brasileiro. Neste país, mesmo numa situação normal, a ordem é atrasar salários, dívidas trabalhistas desproporcional, antecipação de receitas, metas financeiras só para inglês ver e propostas orçamentárias mentirosas. No futebol paulista, por exemplo, os bons resultando em campo mascaram uma realidade preocupante. Em 2019, todos os clubes fecharam o ano no vermelho. O São Paulo teve um rombo de R$ 180 milhões. A circunstância é a mesma nos outros estados. Há exceções, entretanto, esse é o padrão em todo o Brasil.


Se numa conjuntura habitual, a situação é difícil, a instabilidade da Covid-19 traz um cenário tenso. De acordo com o repórter Rodrigo Capelo, do globoesporte.com, os times brasileiros devem deixar de arrecadar entre R$ 500 milhões e R$ 2 bilhões em 2020 devido à crise agravada pelo vírus. Os jogos com portões fechados serão uma realidade no mundo inteiro. Portanto, haverá queda brusca de bilheteria e sócio-torcedor. Por outro lado, receitas com direitos de transmissão e patrocínios, ainda que prejudicadas pela suspensão dos campeonatos, podem ser até integralmente recuperadas pelos clubes.

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Por isso, os clubes abriram negociação com seus atletas e funcionários para reduzir os salários, demissões e corte de despesas. No geral, eles estão reduzindo em 25% o rendimento caso, por exemplo, de Flamengo, Fluminense, Palmeiras, Corinthians e Botafogo. Já Santos e São Paulo ofereceram a redução de 50%. No Tricolor, tudo certo. Na Baixada, por sua vez, os jogadores não aceitaram. O Atlético-MG disse que os cortes aconteceriam de qualquer maneira, sem a necessidade de diálogo. E, finalmente, no Vasco, a diretoria evitar falar sobre um corte salarial. O Cruzmaltino ainda não pagou nenhum salário em 2020.


No entanto, a crise tem dois lados da moeda. A Globo resolveu cortar mensalidades referentes às cotas do Brasileirão, visto que o campeonato não deverá acontecer nos próximos meses. Os clubes ficaram indignados com a reação da rede de televisão. No entanto, essa ação marca uma ruptura com o modelo amador imposta pela emissora carioca. De fato, não faz sentido pagar por algo que ainda não foi entregue.


Sob o ponto de vista da gestão, os clubes de futebol no Brasil precisam se reformular. O evidente desequilíbrio traz novos desafios, mas se a casa estivesse em ordem, os impactos certamente seriam menores. Logo, é preciso ir ao encontro do profissionalismo. Nesse sentido, a receita é basicamente planejar para depender cada vez menos de uma única fonte de receita. Ou seja, quanto maior a diversificação, melhor a possibilidade de absorção dos abalos financeiros.

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