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Dois jogos para o mundo

Por: Vinícius Sacramento

Ônibus que levou delegação do Flamengo a caminho do aeroporto (Foto: Gilvan de Souza)

O bicampeonato da CONMEBOL Libertadores pelo Flamengo não poderia ter sido escrito de forma mais épica. Nem Shonda Rhimes, nem George R. R. Martin, nem João Emanuel Carneiro… absolutamente ninguém escreveria um roteiro tão saboroso para a conquista que desafogou 42 milhões de torcedores mundo afora. 38 anos depois, a América foi pintada de rubro-negro mais uma vez, com todas as viradas de qualquer produto de sucesso na dramaturgia.


A epopeia começou a mais de 3.700 metros acima do nível do mar, em Oruro. E tal como terminou, Gabriel Barbosa balançou a rede. Três duelos em casa e duas batalhas fora deram a classificação suada, porém numericamente na liderança. Aí veio o grande plot twist: a chegada de Jorge Jesus, em junho. E no seu primeiro desafio na competição, um passeio do Emelec, com o requinte de crueldade de uma grave lesão de Diego, capitão do Flamengo. Diego foi “aposentado” por muita gente. Tudo parecia perdido ali. Não para a Nação. Mais de 61 mil rubro-negros viram o sonho permanecer vivo nos pênaltis.


Nas quartas, um retrancado time do Internacional só se abriu quando fora vazado, mas já era tarde: a maionese já tinha desandado. A semifinal reservou dois grandes confrontos, e quando tudo se encaixava no “mosaico em três partes”, o alinhamento de corpos celestes sugou o Grêmio e o levou para o limbo.


Tensão e guerra civil na cidade da final única. E agora? O Flamengo viria se repetir o filme de 2001, na Argentina? Dessa vez, não! Decidiu-se mudar o local para Lima, e a escolha foi perfeita. O problema de fato era chegar no litoral do Pacífico. Também viveu uma novela quem fugiu dos aumentos abusivos e resolveu atravessar a América de ônibus. Mas ainda faltava a bênção popular: um mar de gente seguiu o ônibus dos jogadores como pôde, empunhando bandeiras, sinalizadores e os gritos que saíram dos estádios para as vielas.


Flamengo ergue a taça no Monumental, em Lima, após 38 anos (Foto: Alexandre Vidal / CRF)

Com bola rolando, o River Plate amassou o Flamengo. Sufocou a saída de bola. Teve contra-ataques mortais. Fez uma cópia tão perfeita do esquema de Jesus, que errou ao não matar o jogo quando teve a chance. A lesão de Gerson abriu caminho para a volta triunfal de Diego, que criou jogadas que mudaram a partida. Jesus (o bíblico) até perdoa, mas Gabigol não. A virada nos acréscimos veio quando um temporal descia sobre o Rio, lavando a alma de várias gerações de rubro-negros entalados com a obsessão pela glória eterna. “E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: homem de pouca fé, por que duvidaste?” Pronto, estava escrito! (Mateus 14:31).


A esse Flamengo não se faculta o direito de perder. Mais de 100 dias de invencibilidade, com o mundo a 180 minutos de distância. O adversário europeu é o mesmo. Será que o final de 2019 será parecido com 1981?

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