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Da velocidade à altura:de olho em 2020, velocista Terezinha Guilhermina migra para o salto em altura


Por: André Cavalcante

São oito medalhas nas Paralimpíadas – três de ouro, duas de prata e três de bronze -, além de 13 medalhas de ouro e quatro de prata em Mundiais. Este é o currículo de Terezinha Guilhermina, velocista brasileira de 39 anos e que está visando os Jogos de Tóquio 2020, mas em outra modalidade: o salto em distância.


Guilhermina, que é cega, afirmou que o incentivo do marido e de outros treinadores foi fundamental para a mudança e que a adaptação está boa: em 2017, encerrou em segundo lugar no ranking mundial da modalidade. “O salto em distância foi uma prova que surgiu também pelo incentivo do meu marido, mas por vários treinadores e sugestões no geral. E é um grande desafio para mim, mas como desafio é meu prato favorito, eu me adaptei bem. É uma prova que gosto muito e que aprendo todos os dias, a cada treino. É bom saber que eu não sei tudo e que posso aprender algo novo, isso que me motiva”.


Sobre a cobrança por medalhas, a atleta paralímpica afirmou que a próxima é sempre a mais importante, ressaltando a importância dos treinos para consegui-la. “A medalha que mais me motiva e que faz com que eu treine todos os dias é a medalha que eu ainda não ganhei. Pois aquelas que já vieram para o meu peito não podem ser mais tiradas. Então eu treino muito para as próximas medalhas e a pressão maior, sem dúvida, sou eu quem faço”.


Além de atleta, ela também é psicóloga e realiza viagens nas quais ministra palestras motivacionais. Segundo a velocista, a conciliação das atividades não interfere em seus treinamentos, e que de quebra, é algo positivo para a cabeça. “Realizar palestras contando a minha história e ensinando pessoas a correrem atrás dos seus objetivos é um privilégio que me fortalece muito mentalmente. Não dificulta e nem atrapalha meus treinos em nada, já que geralmente eu estou com meu treinador ou com meu guia nessas viagens. Consigo manter os treinamentos e a preparação sem ter nenhuma alteração”.


As lesões atrapalham o andamento dos atletas e muitas vezes até interrompem precocemente algumas carreiras. Neste ano Guilhermina teve duas, porém, diz que já está 100% e foca a próxima competição. “Eu tive duas lesões, uma no sólio da perna esquerda e outra no adutor da perna direita, porém estou totalmente recuperada, preparada para os próximos desafios. E a principal competição esse ano vai ser em Barranquilla, na Colômbia, de 10 a 23 de outubro. Estou me preparando bastante para essa prova e acredito que vou conseguir surpreender com os resultados, já que fiz uma série de mudanças (no treinamento) para que isso acontecesse”.


Jogos Parapan-Americanos em Lima, no Peru

Antes dos Jogos Paralímpicos, a velocista também destacou como estão os preparativos para os Jogos Parapan-Americanos de 2019, que serão disputados em Lima, no Peru. Ela contou os detalhes desse processo, a parceria com um novo guia e a expectativa de quais modalidades irá disputar. “Na minha preparação não só pra Lima (Peru), mas pra Doha (Catar) e principalmente para Tóquio 2020, eu fiz algumas mudanças. Estou morando em Maringá, no Paraná e tenho toda uma estrutura com fisioterapeuta e uma equipe multidisciplinar que está me acompanhando para conseguir chegar lá ainda melhor. Acabei de assumir o trabalho com um novo guia, o Gabriel Modesto, que com certeza vai estar comigo em Tóquio e vamos superar recordes e conquistando medalhas de uma maneira ainda mais profissional. Estou trabalhando especialmente para competir melhor ainda nas provas de 100 e 200 metros. Possivelmente estarei fazendo salto em distância ou os 400 metros, ainda não está definido, isso é de acordo com os testes que vamos fazer. Até porque só pode fazer três provas individuais, então ou vai ser 100, 200 e salto ou 100, 200 e 400 metros”.


Jogos Paralímpicos em Tóquio, no Japão

Ao falar sobre a competição mais importante e visada do esporte mundial, a atleta foi ambiciosa e projetou uma trajetória vitoriosa. “Eu quero conseguir as medalhas de ouro, nas provas que vou disputar. Eu já subi no pódio, ouvi o hino nacional, já conquistei medalhas de ouro e sei o caminho que eu tenho que percorrer para conseguir de novo e o que for necessário fazer, farei para conseguir. O que tiver que treinar e aprender… eu tenho certeza que vai dar certo”.


Com 39 anos, ela terá 42 no ano paralímpico, fator que considerou como vantagem na caça às medalhas douradas. “Eu considero o fator idade um privilégio, já que experiência é algo que ninguém te dá, mas que ninguém te rouba, então eu vou estar bem mais experiente do que a maioria das minhas adversárias. Eu prefiro contar isso como algo favorável”.


Após o ciclo paralímpico, Terezinha já começa a planejar o que fará longe das pistas: pretende se aposentar e cuidar da vida particular, revelando inclusive que deseja ser mãe. “A intenção, a princípio, é que Tóquio seja a minha ultima competição. Depois eu pretendo continuar com as palestras, os treinamentos como psicóloga e pretendo ser mãe, assumindo a vida social que até agora eu não tive, já que eu me dedico exclusivamente à preparação do esporte”.

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