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Convicção x pressão: o dilema de Abel Braga neste início de 2019

Por: Rafael Magliano

Foto: Alexandre Vidal/Flamengo


O ano de 2018 chegou ao fim, e, com ele, encerrou-se a era Eduardo Bandeira de Mello, tida por muitos como a melhor gestão da história do Flamengo. Se do ponto de vista administrativo/financeiro essa afirmativa parece bastante assertiva, no âmbito esportivo nem tanto. Em seis anos foram conquistados apenas dois Campeonatos Cariocas e uma Copa do Brasil. Muito pouco para quem vem, ano após ano, investindo em estrutura de trabalho e elencos valiosos. Tal cenário caiu como uma luva para que a oposição, encabeçada por Rodolfo Landim, surgisse com força e prometesse mudanças significativas e imediatas que tornariam o Flamengo um clube vitorioso novamente.


Veio 2019 e o Flamengo, já presidido por Rodolfo Landim, investiu no técnico Abel Braga que, em sua segunda passagem pelo Rubro-Negro, prometeu dar ao Flamengo aquele “algo a mais” que ficou faltando nos últimos anos e que vem sendo bastante cobrado pela torcida. Nomes estrelados vieram, como Rodrigo Caio, Gabriel Barbosa, De Arrascaeta e Bruno Henrique, e poucos saíram, como Lucas Paquetá, elevando ainda mais a expectativa da torcida e, consequentemente, a pressão pelos resultados positivos.


Em sua apresentação, Abel deixou bem claro que seu desejo era repetir a fórmula de sucesso implementada por Felipão no Palmeiras de formar dois ou três times titulares e rodar o elenco, já que o Flamengo irá disputar em alto nível, no mínimo, o Campeonato Carioca, a Libertadores da América, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, e precisará contar com todos os jogadores em suas totais plenitudes físicas e mentais. Para isso, uma estratégia de pré-temporada foi montada em Orlando-USA, onde o Flamengo disputou a Flórida Cup e sagrou-se campeão do torneio, fato bastante comemorado pelos jogadores e comissão técnica, pois comprovava que as expectativas eram realmente as maiores possíveis.


Agora que o ano realmente começou e o elenco já está sendo colocado à prova neste início do Campeonato Carioca, o técnico rubro-negro vem vivendo alguns dilemas. Qual o time considerado titular? Qual o esquema de jogo ideal? Como colocar todas as estrelas em campo sem sacrificar muito o time? Como manter suas convicções de jogo e ao mesmo tempo atender a pressão da torcida? Uma coisa é certa, Abel tem uma dor de cabeça boa para trabalhar. Não é qualquer time que pode se dar ao luxo de ter jogadores como Diego Alves, Rodrigo Caio, Cuéllar, Diego, Éverton Ribeiro, Arrascaeta, Bruno Henrique, Gabriel Barbosa, Uribe, Henrique Dourado, entre outros.


Abel tem peças suficientes para alternar diversas formas do time jogar, principalmente do meio pra frente, e é exatamente isso o que ele tem feito neste início de trabalho. Gabriel, por exemplo, veio para o Flamengo com status de titular absoluto e dono da camisa 9 rubro-negra, tudo devido ao grande ano de 2018 que teve no Santos, onde foi o goleador do Campeonato Brasileiro. A torcida, obviamente, o enxerga como o centroavante titular da equipe, mas será que é assim que Abel o projeta? Se for levar em conta os testes dos primeiros jogos, não. É bem verdade que o Gabriel também sabe fazer o lado do campo, e até mesmo no Santos de 2015/16 ele desempenhou muito bem esta função, tendo Ricardo Oliveira como o centroavante fixo e goleador da equipe. Neste caso, abriria uma brecha para entrada de Henrique Dourado ou Fernando Uribe.


E quanto ao Arrascaeta? A segunda maior contratação da história do futebol brasileiro, o uruguaio chegou como candidato a ídolo da torcida rubro-negra e maestro da equipe. Apesar de não vestir a camisa 10, o jogador é considerado pela torcida como titular absoluto e, de preferência jogando centralizado, tendo a companhia de dois pontas e servindo o centroavante. Mas, para essa função, o Flamengo tem Diego, um jogador que é bastante querido por Abel Braga, que inclusive o entregou a faixa de capitão da equipe. Encaixar os dois na equipe titular é mais um desafio do comandante rubro-negro. Uma opção viável seria a entrada de Diego na vaga de Wiliam Arão, alteração que daria ao time uma conotação mais ofensiva, o que não agrada muito ao treinador, que já disse não ser adepto ao “time de índios”.


A contratação que parece mais ter agradado Abel Braga é Bruno Henrique, pedido pessoal do técnico. Apesar de ter feito um ano de 2018 para apagar da memória, o estilo de jogo de Bruno Henrique encaixa perfeitamente com o desejo de Abel de contar com pontas velozes e com poder de decisão. Tal poderio foi demonstrado exatamente em sua estreia, contra o Botafogo, quando entrou no segundo tempo e simplesmente mudou a cara do jogo marcando duas vezes e oferecendo perigo constante à zaga alvinegra. A sua entrada no time titular se torna apenas questão de tempo, principalmente pelo início de ano irregular de Vitinho, seu concorrente direto, que ainda não conseguiu emplacar no Rubro-Negro e convive diariamente com vaias da torcida. Apesar disso, o técnico enxerga Vitinho como um jogador que será importante no decorrer da temporada e planeja dar mais chances ao jogador para que não o perca logo de cara e, consequentemente, falte esta opção lá na frente.


Uma coisa é certa, Abelão tem bastante tempo para definir a formação ideal, ajustar a equipe e colocar os jogadores na “ponta dos cascos”, já que o primeiro grande objetivo do Flamengo é a estreia na Copa Libertadores, que será apenas no início de março. Até lá, o comandante rubro-negro seguirá no dilema entre as suas convicções e ideias de time e a pressão que virá da torcida e da imprensa para que faça este time estrelado render o que se espera, com uma função tática bem definida e uma proposta de jogo à altura das pretensões rubro-negras para o ano de 2019.

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