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As semelhanças e diferenças das filosofias de jogo de Rogério Ceni e Domènec Torrent

Este é um artigo opinativo. O texto abaixo é de total responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a opinião da Alternativa Esportes Web Rádio.


Por Nícholas Franco


Ceni e Dome no duelo do 1º turno, pelo Brasileirão, quando o Fla venceu o Fortaleza por 2x1 | Foto: Reprodução

Após optar pela demissão do técnico espanhol Domènec Torrent, a diretoria do Flamengo não foi atrás de outro estrangeiro para substituí-lo no cargo. O então treinador do Fortaleza, Rogério Ceni, foi o escolhido para suceder o projeto e recolocar o atual campeão brasileiro e das Américas nos trilhos. Mas será que o ex-goleiro pratica um jogo tão diferente assim do proposto pelo catalão? Confira abaixo as semelhanças e diferenças dos dois treinadores:

Goleiro Felipe Alves, do Fortaleza, era constantemente visto sendo um terceiro elemento da saída de bola em linha alta do time de Rogério Ceni | Foto: Captura de tela/Canal do Filipe

Semelhanças

Assim como o ex-auxiliar de Guardiola, Ceni é adepto do jogo de posição, que consiste em ter um time que compacte suas peças no campo do adversário, sendo assim, adepto da linha de defesa alta. Inclusive, com o goleiro participando constantemente da saída de bola, longe do próprio gol, e aproveitando o máximo da amplitude e profundidade das jogadas, além de fazer uso das triangulações entre jogadores que jogam próximos numa mesma região do campo. Em outras palavras, a referência do time seguirá sendo o espaço, e não a bola, como era com o português Jorge Jesus.


No entanto, um dos grandes problemas do time de Dome também era uma realidade do Fortaleza de Rogério. A equipe cearense era a que menos recuperava a bola no campo de ataque adversário. Fator considerado como principal falha da proposta de Torrent em perder e pressionar rápido a defesa dos rivais. Se um time marca em linhas altas e não consegue roubar a bola na metade ofensiva do campo, os zagueiros acabam expostos, e se não tiverem velocidade na recomposição, sofrem com as bolas lançadas nas costas.

Artilheiros do Flamengo em 2019, Gabigol e Bruno Henrique voltaram a jogar em dupla de ataque com Rogério Ceni | Foto: Alexandre Vidal/CRF

Diferenças

Enquanto Dome costumava abrir o campo com seus pontas, Ceni prefere fazer isso com seus laterais. Ainda assim, o novo treinador gosta de ter jogadores rápidos pelos lados, e por vezes escala suas equipes com quatro atacantes, num 4-4-2, apesar de ter experimentado o volante Thiago Maia aberto por um dos lados nos primeiros jogos pelo Rubro-Negro.

Além disso, Ceni fez o Flamengo voltar a usar um esquema com dupla de ataque à frente como nos tempos de Jorge Jesus, o que potencializa o jogo de Gabriel Barbosa e Bruno Henrique. Eles jogam mais próximos da área, alternando-se entre encostar do lado em que a jogada acontece e correr em diagonal em direção à meta adversária, partindo do lado oposto.

Reforços da temporada, Léo Pereira e Gustavo Henrique chegaram badalados, mas ainda não conquistaram a confiança da torcida | Foto: CRF/Reprodução

Aposta na experiência

Outra opção que ficou muito clara nas primeiras partidas no comando do novo técnico foi a opção por jogadores mais experientes, em detrimento da juventude, num momento de reconstrução e retomada da confiança. A ideia de Rogério era ter Diego Alves de volta à titularidade, mas o goleiro ficou fora uma partida por cãimbras, e Hugo Souza teve de voltar à meta. Na zaga, os questionados reforços Gustavo Henrique e Léo Pereira formam a dupla do técnico. A preservação de Natan, Thuler e Noga também é uma forma de não queimar os jovens defensores rubro-negros, em meio à pressão por melhores resultados a curto prazo.


Rogério precisará de tempo para trabalhar, assim como seu antecessor também precisava. Mas a exigência que um time campeão de cinco taças entre a temporada passada e a atual demanda, não suportou goleadas seguidamente sofridas. Corrigir problemas com jogos oficiais em andamento, três competições a serem disputadas e o peso do favoritismo para vencer todas pode atrapalhar, mas o argumento de disputar o Brasileirão na parte de cima ou de chegar longe nas competições não será “álibi” para defendê-lo no cargo. O Flamengo contratou Rogério para ganhar títulos, e não somente disputá-los.

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