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As chicotadas psicológicas do Brasileirão

Por: Vinícius Sacramento


Dança das cadeiras lembra a do videogame (Foto: Reprodução)

Final de temporada no Brasil é sempre a mesma coisa: os times que lutam contra o rebaixamento tomam medidas desesperadas na tentativa de evitar o descenso. Geralmente pressionados pela torcida, demitem técnicos, colocam interinos - por vezes efetivados após uma boa sequência - e mandam contratos às favas na velocidade da luz. Mas o futebol brasileiro jamais deixa de nos surpreender.


Em 2019, a dança das cadeiras ganhou contornos de Elifoot, o “jurássico” jogo de computador em que o jogador simula ser o técnico de um time, mas também tem funções de um cartola. Renova contratos, demite e contrata jogadores e ainda decide sobre ampliações do estádio. O objetivo é conduzir a equipe da 4ª divisão à Série A, à Libertadores e ao Mundial de Clubes. No meio do caminho, o jogador recebe convites para tentar salvar outros times na beira do caos, mas pode ser demitido se ficar vários jogos sem vencer e cair em desgraça com a torcida. A cada rodada, as “chicotadas psicológicas” mostram quem foi parar no olho da rua.


Na briga contra a degola deste ano, Cruzeiro, Ceará e CSA protagonizaram uma situação bastante peculiar: tudo começou quando Adilson Batista - então técnico do alvinegro cearense - estranhamente tirou o atacante Thiago Galhardo para colocar um zagueiro no intervalo, quando vencia o Flamengo sem cinco titulares por 1 a 0. Na transmissão da Alternativa Esportes, nossa equipe dizia que Adilson parecia satisfeito com o resultado. Recuou demais sem necessidade e viu seu time levar quatro gols no segundo tempo. Foi goleado e demitido.


A demissão também chegou para Abel Braga, do Cruzeiro, que entregou o cargo após derrota em casa para o CSA, de Argel Fucks, por 1 a 0. Depois que Thiago Neves perdeu um pênalti, houve confusão no Mineirão: a torcida acendeu sinalizadores - que foram atirados no gramado, espalhando fumaça - estourou rojões e jogou garrafas no campo, além de quebrar cadeiras e entrar em confronto com a polícia. O jogo chegou a ser paralisado por dois minutos. Também houve ameaça de invasão de campo ao término da partida. O Cruzeiro já tinha sido punido por confusões no último clássico com o Atlético-MG, mas conseguiu adiar o cumprimento da pena. Dessa vez, o revés no STJD deverá ser grande.


Argel conseguiu dar uma sobrevida ao Azulão alagoano. Se perdesse, teria decretado matematicamente o rebaixamento. Mesmo com a vitória sobre um adversário direto, a situação ainda é muito difícil, porém a tabela é menos complicada que os seus rivais. Restando três rodadas, Argel Fucks foi chamado para assumir o Ceará, e aceitou, abandonando o CSA à própria sorte. Corre à boca pequena que a saída era certa independente do resultado que o treinador conseguisse em Belo Horizonte. A parte mais bizarra da história não são os “contratos de dez dias” - comuns na NBA -, e sim a troca acontecendo entre os rivais na briga contra o rebaixamento. A vitória do CSA de Argel ajudou muito o Ceará de Argel. O Cruzeiro de Adilson Batista segue na cola do Ceará que demitiu… Adilson Batista! O CSA ainda não anunciou quem substituirá Argel e limitou-se a dizer que foi o agora ex-técnico do Azulão quem solicitou o desligamento.


O treinador que larga uma equipe “rebaixável” a três jogos do fim por outra em situação pouco melhor tem moral para criticar uma demissão no meio do campeonato? Que planejamento busca um clube que pagará quatro treinadores (Mano Menezes, Rogério Ceni, Abel Braga e Adilson Batista) ao mesmo tempo? A cartilha do rebaixamento foi seguida à risca por muitas diretorias neste ano. Duas delas ainda vão amargar a dor da queda. Façam suas apostas!

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