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80 anos de Pelé: vida longa ao rei

Atualizado: Out 24

Este é um artigo opinativo. O texto abaixo é de total responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a opinião da Alternativa Esportes Web Rádio.


Por Luiz Cláudio


O rei no lugar que é dele de direito: o trono, para o maior de todos os tempos | Foto: Reprodução/Twitter

O brasileiro é apaixonado por futebol. Eu amo futebol. Amamos futebol. A paixão do brasileiro pelo futebol tem um nome: Pelé. Você pode até dizer que o Pelé não pode ser a razão do meu gosto pelo jogo pelo fato de nunca tê-lo visto jogar. Mas as pessoas que me influenciaram viram. E se encantaram. E se não o tivessem visto jogar, certamente não teriam o ímpeto necessário para me fazer gostar de futebol.


Mesmo aquele jovem que não viu nem duas gerações de futebolistas posteriores à geração de Pelé, gosta de futebol por influência do Pelé. Mesmo que seja uma influência indireta. Nós, cronistas, amamos o jogo por causa do Pelé. Costumo dizer que, se a Inglaterra inventou o futebol, o Brasil inventou a arte de jogar bola. E Pelé transformou essa arte em poesia. Lirismo talvez. O jogo deixou de ser espetáculo e transformou-se em deslumbre. Em resumo, o nosso gosto pela bola, direta ou indiretamente, converge para Pelé.


Há uma máxima que diz que o brasileiro só valoriza a vitória. O segundo e o último, para ele, tem o mesmo valor, chegando a afirmar que o vice é o primeiro dos últimos. Será que o futebol brasileiro teria tantos apaixonados se não fosse tão vitorioso ao longo da história? O nosso futebol vivia uma história de frustração e não possuía conquistas relevantes. Lá em Três Corações, interior de Minas Gerais, um menino de apenas 10 anos, triste com a derrota da Seleção na Copa de 1950, em pleno Maracanã, ao ver o seu pai aos prantos com o revés do Brasil para o Uruguai na final do Mundial, prometera-lhe que ganharia uma Copa do Mundo para o Brasil. Para a alegria do Seu Dondinho, seu pai, e para a nossa alegria também, ele ganhou não apenas uma, mas três Copas do Mundo.


Para a “sorte” do futebol brasileiro, Pelé cumpriu a promessa com juros e correção monetária. O futebol mais vitorioso da história começou sua trajetória de conquistas naquele 1958. Sendo Pelé o principal responsável pelas conquistas, especialmente as de 58 e 70. Não é exagero afirmar que Pelé é a razão do gosto do brasileiro pelo futebol. Pelé não foi apenas campeão mundial três vezes com a Seleção: ele também foi bicampeão mundial com o Santos, em 1962 e 1963.

O famoso "soco no ar", comemoração que ficaria marcada na história | Foto: Agência O Globo

Muitos hoje afirmam que o jogador A ou o atleta B foi melhor que o Pelé. Talvez por desconhecer as habilidades e os números do craque. Imaginam inutilmente que o Atleta do Século XX pode ser comparado com algum outro em apenas 20 anos de século. Ledo engano. Pelé dominava com maestria todos os fundamentos. Eu disse todos. Era completo por excelência. O nível que ele atingiu é tão inatingível para qualquer ser humano praticante do desporto, que o saudoso Mestre Armando Nogueira certa vez afirmou: “Pelé é tão perfeito, que se não tivesse nascido homem, teria nascido bola”. Ainda do Nogueira há uma frase que ele define uma troca de passes entre o Pelé e o também cerebral Tostão, outro craque do nosso futebol da seguinte maneira: “A tabelinha de Pelé e Tostão confirma a existência de Deus”.

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Definir Pelé é tarefa das mais árduas. Melhor de todos os tempos, Rei do Futebol, Atleta do Século XX, Deus da bola. São vários os adjetivos e frases que podem tentar classificar o que o craque representou para o futebol brasileiro e mundial. Nesta sexta-feira, dia 23 de outubro, Edson Arantes do Nascimento completa 80 anos de vida. O Edson completa 80 anos, o Pelé é eterno. Como singela homenagem ao Rei pelo aniversário dele, listarei algumas frases, citadas por personalidades de diversos seguimentos e variadas publicações:

Cerebral e à frente do tempo: esse era Pelé | Foto: Reprodução

"Como se soletra Pelé? D-E-U-S". (The Sunday Times, jornal londrino)


"Marcar mil gols, como Pelé, não é tão difícil. Marcar um gol como Pelé é". (Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro)


"Após o quinto gol, eu queria era aplaudi-lo". (Sigge Parling, zagueiro sueco encarregado de marcar Pelé durante a final da Copa de 58)


"Eu pensei: ‘Ele é feito de carne e osso, como eu.’ Eu me enganei". (Tarciso Burnigch, zagueiro italiano que marcou Pelé na final da Copa de 70)


"Cara, como você é popular!". (Robert Redford, após presenciar Pelé dando dezenas de autógrafos em Nova York, enquanto ninguém lhe pediu um sequer)


"Muito prazer, sou o presidente dos Estados Unidos. Você não precisa se apresentar, porque Pelé todo mundo sabe quem é". (Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos na década de 80, ao receber Pelé na Casa Branca)


"Até a bola do jogo pedia autógrafo a Pelé. (Armando Nogueira, jornalista brasileiro)


"Lá vai Pelé com a bola que Deus lhe deu". (Armando Nogueira, jornalista brasileiro)


"Não me venham falar em Di Stéfano, em Puskás, em Sivori, em Suárez. Eis a singela e casta verdade: não chegam aos pés de Pelé. Quando muito, podem engraxar-lhe os sapatos, escovar-lhe o manto". (Nelson Rodrigues, escritor, jornalista e dramaturgo brasileiro)

A clássica foto de Pelé abraçando Jairzinho na Copa de 70 | Foto: Divulgação/Fifa

"Um time que tem Pelé é tricampeão nato e hereditário". (Nelson Rodrigues, escritor, jornalista e dramaturgo brasileiro)


"O maior jogador de futebol do mundo foi Di Stéfano. Eu me recuso a classificar Pelé como jogador. Ele está acima de tudo". (Ferenc Puskás, craque da Hungria e do Real Madrid na década de 50)


"Maradona só será um novo Pelé quando ele ganhar três Copas Mundiais e marcar mais de mil gols". (Cesar Luis Menotti, ex-técnico da Seleção Argentina)


"Descrever o que foi Pelé é humanamente impossível. Foi a perfeição. Ele desequilibrou o mundo". (Gilmar dos Santos Neves, goleiro do Santos e do Brasil nas copas de 58 e 62)


"Pelé nunca será superado, porque é impossível haver algo melhor que a perfeição. Ele teve tudo: físico, habilidade, controle de bola, velocidade, poder, espírito, inteligência, instinto, sagacidade". (Jornalista do Sunday Mirror de Londres)


"Posso ser um novo Di Stéfano, mas não posso ser um novo Pelé. Ele é o único que ultrapassa os limites da lógica". (Johann Cruijff, maior jogador holandês de todos os tempos)


"Subimos juntos, fora do tempo, para cabecear uma bola. Eu era mais alto e tinha mais impulsão. Quando desci ao chão olhei pra cima, perplexo. Pelé ainda estava lá, no alto, cabeceando a bola. Parecia que podia ficar no ar o tempo que quisesse". (Fachetti, zagueiro italiano na Copa do México, em 70)


"Pelé chegou". (Jornal chileno, anunciando a chegada da Seleção Brasileira para a Copa de 62).


Parabéns, Pelé. Muito obrigado pelo jogo, por seu futebol e por ter elevado o nível do Brasil.

Vida longa ao Rei.

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