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50 anos do Tri #4 - memórias de uma Copa do Mundo inesquecível: o Brasil conquista o Mundial

Este é um artigo opinativo. O texto abaixo é de total responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a opinião da Alternativa Esportes Web Rádio.


Por José Roberto Julianelli


Taça é erguida por Carlos Alberto Torres: Brasil estava no topo do mundo do futebol pela terceira vez | Foto: Divulgação/CBF

A Itália conseguira passar pela poderosa Alemanha Ocidental de Beckenbauer, por 4x3, após uma prorrogação, num duelo que foi chamado “Jogo do Século”, que vale a pena ser visto. A seleção alemã tinha no time o goleiro Maier, o lateral direito Vogts, no meio de campo além do “Kaiser”, tinha Overath, e no ataque Müller, o artilheiro da Seleção Alemã. A Azurra seria o último obstáculo, principalmente porque ela também queria esse tricampeonato.


No Brasil, a ditadura endurecera ainda mais, e havia uma grande expectativa por essa conquista, que certamente seria muito explorada pela propaganda do regime, com o objetivo de distrair a população e tentar afastá-la ainda mais da realidade. Vivia-se aqui um tempo de medo e pouca liberdade, principalmente de expressão, e uma derrota na final da Copa poderia trazer consequências imprevisíveis para os rumos do nosso país.

Leia também as outras partes desse especial de quatro textos:


#1 - O período Pré-Mundial


#2 - A Fase de Grupos


#3 - As Quartas e Semifinal

O "Furacão da Copa" anotou gols em todos os jogos do Mundial de 70 | Foto: Fifa

Jogo 6 - Brasil 4x1 Itália (21 de junho) - Final


Foi um domingo daqueles, de reunir a família para o almoço e esperar a hora do jogo. Muita expectativa no Brasil inteiro, afinal, tínhamos um time muito bom tecnicamente que chegava com credibilidade para a decisão. Do outro lado uma Seleção Italiana também muito qualificada: do goleiro ao ponta esquerda, jogadores experientes como o goleiro Albertosi, o lateral Facchetti e os atacantes Riva e Boninsegna. O estádio Azteca estava completamente tomado por 107.412 torcedores, podemos dizer, a maioria torcendo para o Brasil. A nossa Seleção entrou em campo com o mesmo time da estreia.


O jogo começou com o Brasil atuando com tranquilidade, impondo seu ritmo, e aos 18 minutos, num cruzamento de Rivelino na área, Pelé, de cabeça, abriu o marcador. O Brasil estava na frente, porém a torcida continuava tensa. E não era para menos, pois ao 37 minutos, Boninsegna empatou para os italianos, numa falha da defesa brasileira. A Seleção foi para o intervalo sob pressão, mas nossos jogadores estavam preparados para qualquer desafio.

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Veio o segundo tempo, mas o gol custava a sair, e a agonia já começava a tomar conta dos torcedores de ambos os lados. O time italiano parecia estar desgastado fisicamente por conta da prorrogação no jogo contra a Alemanha, mas a entrega e o espírito de luta eram impressionantes. Aos 21 minutos, a bola chegou nos pés de Gerson, que inclusive era dúvida para aquele jogo: o “Canhota” ajeitou a bola, e de fora da área, disparou um chute violento, com efeito, que entrou no cantinho esquerdo do goleiro Albertosi, para alívio dos brasileiros. Nosa Seleção estava na frente de novo, e esse gol desconcentrou o time italiano, que agora tinha que atacar com mais ímpeto, mas já não tinha tanta força física.

Gol histórico do "Capita" é celebrado por todos | Foto: Getty

Não demorou, e cinco minutos depois, aos 26, Jairzinho marcaria o terceiro do Brasil - o “Furacão da Copa” fez gols em todos os jogos -, e daria mais tranquilidade à nossa Seleção. Para fechar o placar, um gol com a marca do futebol brasileiro que encantou o mundo naquela Copa. Clodoaldo recebeu uma bola na intermediária do Brasil, se livrou de quatro adversários, abriu na ponta esquerda para Rivelino que esticou para Jairzinho. Ele avançou para cima da marcação, driblou para dentro, e serviu Pelé quase na meia lua da grande área. Todos pensaram que Pelé iria chutar dali, mas o Rei percebeu a chegada de Carlos Alberto, o “Capita”, como uma flecha pelo lado direito. Pelé então rolou sutilmente para o lateral-direito encher o pé e estufar a rede italiana. Era o 4º gol do Brasil, a Taça Jules Rimet estava definitivamente conquistada, e nossa Seleção era Tricampeã Mundial de futebol.


A festa tomou conta de todos os cantos do país. O povo sofrido e oprimido gritava feliz com uma conquista desejada, e por que não dizer, necessária, para aliviar um pouco as incertezas que a vida diária e a dura realidade impunham naquele momento histórico. Por alguns dias a euforia nos fez deixar um pouco de lado os muitos problemas que mais tarde a História revelou. Ao lado da alegria e das comemorações do povo, havia nos porões dor e tristeza, repressão e angústia.

O Rei do Futebol é erguido após a conquista da Copa | Foto: Sportsnet

A Pátria Amada Brasil ainda teria que lutar muito para ter de volta a democracia. Nossa Seleção só voltaria a ganhar uma Copa do Mundo 24 anos depois, quando conquistaria seu tetracampeonato nos Estados Unidos, curiosamente sobre uma Seleção Italiana. Contaremos essa história em outra ocasião.

Observação: os dados e fatos relatados em todas as quatro colunas são parte das memórias do autor desses relatos, adolescente à época, e também foram obtidos do Site da BBC Brasil, da Wikpédia e do blog História Mundi.

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