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50 anos do Tri #2 - memórias de uma Copa do Mundo inesquecível: a fase de grupos

Atualizado: Jun 20

Este é um artigo opinativo. O texto abaixo é de total responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a opinião da Alternativa Esportes Web Rádio.


Por José Roberto Julianelli


Elenco da Seleção Brasileira na Copa de 70 | Foto: Arquivo Pessoal/Família de Claudio Coutinho

Após o período pré-Copa, continuamos nosso relato sobre o Tricampeonato Mundial, e vamos nesta segunda etapa falar do desempenho da Seleção Brasileira na fase de grupos. Era o início de uma caminhada rumo a um dos momentos mais fascinantes da história do futebol brasileiro.


Os convocados de Zagallo contavam com cinco jogadores do Santos, além de três do Botafogo e três do Cruzeiro. A lista completa dos 22 convocados para jogar a Copa do México foi a seguinte: Carlos Alberto, Joel, Clodoaldo, Pelé e Edu (Santos), Paulo César, Jairzinho e Roberto (Botafogo), Piazza, Fontana e Tostão (Cruzeiro), Ado e Rivelino (Corinthians), Felix e Marco Antônio (Fluminense), Leão e Baldochi (Palmeiras), Brito (Flamengo), Gerson (São Paulo), Dario (Atlético-MG), Everaldo (Grêmio) e Zé Maria (Portuguesa).


Depois de um grande período de adaptação e preparação física, já no México, chegamos ao dia 3 de junho, quando se deu a estreia da nossa Seleção. O país inteiro parou para assistir a primeira transmissão de uma Copa do Mundo, ao vivo, pela televisão. O Brasil está no grupo 3, com Tchecoslováquia, Romênia e a atual campeã, Inglaterra.

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Naquela época, o Mundial era disputado por apenas 16 seleções, divididas em quatro grupos, passando dois de cada chave para a fase seguinte, as quartas de final. A título de curiosidade, os outros grupos eram assim formados (em destaque, as seleções que passaram para a segunda fase):


- Grupo 1: México, União Soviética, Bélgica e El Salvador.

- Grupo 2: Itália, Uruguai, Suécia e Israel.

- Grupo 4: Peru, Alemanha Ocidental, Bulgária e Marrocos.


Uma outra curiosidade é que, nesta Copa, foi introduzido o uso dos cartões amarelo e vermelho, além da possibilidade de serem feitas no máximo duas substituições de jogadores numa partida, o que não era permitido nas edições anteriores. Agora, vamos comentar sucintamente os jogos do Brasil na fase de grupos.

Pelé (esq.) e Tostão (dir.) estiveram em campo contra a Tchecoslováquia | Foto: Acervo CBF

Jogo 1 - Brasil 4x1 Tchecoslováquia (3 de junho)


A Seleção Brasileira entrou em campo escalada com sete jogadores do time titular das eliminatórias: Felix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gerson e Rivelino; Jairzinho, Pelé e Tostão. A defesa era praticamente toda nova em relação às eliminatórias, inclusive com uma adaptação, pois Piazza foi recuado do meio de campo para a zaga, entrando o jovem Clodoaldo em seu lugar. Além desta mudança, Rivelino “o Garoto do Parque São Jorge”, entrou no lugar do ponta esquerda Edu, e a entrada de Tostão era uma aposta do treinador, tendo em vista a falta de ritmo de jogo, por conta da grave contusão que ele sofrera.


Ainda que o plantel fosse formado por jogadores experientes, o início do jogo foi tenso, e piorou ainda mais quando os tchecos abriram o marcador logo aos 11 minutos, com o jogador Petras, que aproveitou uma distração do setor defensivo. Após alguns minutos de preocupação, o time conseguiu se organizar em campo e os gols começaram a sair. Rivelino, com sua “patada atômica”, empatou o jogo em cobrança falta da entrada da área, aos 24 minutos. No segundo tempo começou a brilhar a categoria de Gerson, “o Canhotinha de Ouro”, com dois lançamentos primorosos: para Pelé, aos 14 minutos, virar para o Brasil, e em seguida, para Jairzinho, o “Furacão da Copa”, fazer o terceiro, com direito a um chapéu no goleiro tcheco. Finalmente, Jairzinho marcou um belo gol, o 4º da Seleção, depois de driblar quase toda defesa adversária.


Nesse jogo aconteceu a jogada mais comentada até os dias de hoje, como o gol que Pelé quase fez. O Rei recebeu a bola no meio de campo e percebeu que o goleiro da Tchecoslováquia estava adiantado: chutou dali mesmo, e o que se viu foi um desesperado goleiro tcheco correndo atrás do impossível, pois jamais pegaria aquela bola, que infelizmente passou a poucos centímetros do seu gol. Mas valeu, estreamos com uma grande vitória de 4x1 sobre uma forte adversária.

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Jairzinho marcou gol na importante vitória brasileira | Foto: Arquivo O Cruzeiro/Estado de Minas

Jogo 2 - Brasil 1x0 Inglaterra (7 de junho)


Considerado o jogo mais esperado da Copa, o Brasil iria enfrentar a então atual campeã do mundo, a Inglaterra, que conquistara nos próprios domínios a Copa de 66. Era uma Seleção Inglesa um pouco mais envelhecida, mas muito bem organizada, principalmente com um sistema defensivo bastante eficiente, e contava com o lendário zagueiro Bobby Moore, além do notável meio campista Bobby Charlton.


Este jogo foi considerado por muitos analistas o melhor e mais disputado do Mundial. Nosso goleiro Felix teve atuação determinante para manter o zero no placar, além de uma atuação muito segura do zagueiro Brito naquele duelo. Para furar o bloqueio inglês, só mesmo a genialidade individual dos nossos jogadores. Assim, numa jogada pelo lado esquerdo da grande área, Tostão puxou para si a marcação de três jogadores, e após girar com a bola, cruzou para dentro de área inglesa: Pelé recebeu, e com um leve toque para a direita, serviu Jairzinho, que deu um chute fortíssimo da entrada da pequena área para marcar o único gol do jogo, que deu a vitória para o Brasil.


Nessa partida, há um lance que foi considerado como a maior defesa de todos os tempos praticada por um goleiro, pelo menos até aquela época. Numa bola levantada na grande área, Pelé cabeceou com força, a pouca distância do goleiro inglês Gordon Banks, que no reflexo conseguiu fazer um verdadeiro milagre, impedindo o gol brasileiro.

Jogo considerado tranquilo teve placar apertado para a Seleção Brasileira | Foto: Acervo CBF

Jogo 3 - Brasil 3x2 Romênia (10 de junho)


Tido como o jogo mais fácil da fase de grupos, o Brasil entrou em campo mais aliviado, pois passara pelo seu maior desafio, a atual campeã do mundo. Com dois gols de Pelé (um em cobrança de falta) e um de Jairzinho, a Seleção ganhou por 3x2 dos romenos. Embora o placar tenha sido apertado, em momento algum os brasileiros correram risco de perder pontos nessa partida. Essa vitória também foi importante, pois garantiu o primeiro lugar no grupo, e levou o Brasil para um caminho diferente da forte seleção da Alemanha nas fases seguintes.


Assim, passamos para as quartas de final, e lá teríamos um encontro com um famoso brasileiro. Na sequência da Copa, ainda teríamos enfrentar um grande fantasma que nos assustava há duas décadas.

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